Meningite Bacteriana: Diagnóstico LCR e Tratamento Urgente

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015

Enunciado

Jovem de 20 anos procura o pronto socorro com quadro de cefaleia holocraniana, anorexia, náuseas e febre há 3 dias. Relata estar usando amoxicilina há 2 dias. Apresenta Sinal de Kernig positivo e dextro122 mg/dl. Realizado LCR com o seguinte resultado (células 774/mm², 68% linfócitos, 10% monócitos, 22% polimorfonucleares, proteínas 242 mg/dl, glicose 22 mg/dl). Qual a melhor conduta terapêutica?

Alternativas

  1. A) Aciclovir.
  2. B) Ceftriaxone.
  3. C) Ganciclovir e dexametasona.
  4. D) COXIP e dexametasona.
  5. E) Sintomáticos e observação neurológica.

Pérola Clínica

LCR: Glicose ↓, Proteínas ↑, Pleocitose com predomínio PMN (mesmo com linfócitos elevados) + Kernig + febre → Meningite bacteriana, iniciar Ceftriaxone.

Resumo-Chave

O perfil do LCR (glicose muito baixa, proteínas elevadas, pleocitose com predomínio de polimorfonucleares, mesmo que os linfócitos estejam em maior porcentagem, o que pode ocorrer em fases iniciais ou após uso de ATB) e a presença de sinais meníngeos (Kernig positivo) são altamente sugestivos de meningite bacteriana. O uso prévio de amoxicilina pode ter alterado o perfil celular, mas a baixa glicose e alta proteína são fortes indicadores. A conduta empírica inicial para meningite bacteriana é Ceftriaxone.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana é uma emergência médica grave, caracterizada pela inflamação das meninges causada por bactérias. É uma condição com alta morbidade e mortalidade se não tratada prontamente, sendo crucial o diagnóstico rápido e o início da antibioticoterapia empírica. Os principais agentes etiológicos variam com a idade, mas incluem Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae tipo b. O diagnóstico é baseado na avaliação clínica (febre, cefaleia, rigidez de nuca, sinais meníngeos como Kernig e Brudzinski) e, fundamentalmente, na análise do líquido cefalorraquidiano (LCR). O LCR típico de meningite bacteriana mostra pleocitose com predomínio de neutrófilos, proteinorraquia elevada e glicorraquia reduzida. No entanto, o uso prévio de antibióticos pode modificar o perfil celular, tornando a interpretação mais desafiadora, mas a baixa glicose e alta proteína persistem como marcadores importantes. A conduta terapêutica deve ser iniciada imediatamente após a coleta do LCR (ou mesmo antes, se houver atraso na coleta e alta suspeita clínica). O tratamento empírico de escolha para adultos e crianças maiores é a Ceftriaxone, muitas vezes associada à Vancomicina para cobertura de pneumococos resistentes, e Dexametasona em casos selecionados para reduzir complicações neurológicas. A identificação do agente etiológico por cultura ou PCR do LCR permite o ajuste do antibiótico.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos no LCR de meningite bacteriana?

Na meningite bacteriana, o LCR tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de polimorfonucleares, proteinorraquia elevada (>100 mg/dL) e glicorraquia muito baixa (<40 mg/dL ou <40% da glicemia).

Qual a importância do uso prévio de antibióticos no perfil do LCR?

O uso prévio de antibióticos pode alterar o perfil do LCR, diminuindo a contagem de células ou alterando o predomínio celular (podendo haver predomínio linfocitário), mas geralmente não normaliza a glicorraquia ou proteinorraquia, que permanecem alteradas.

Por que o Ceftriaxone é a escolha inicial para meningite bacteriana empírica?

O Ceftriaxone é um antibiótico de amplo espectro, com excelente penetração no sistema nervoso central, cobrindo os principais agentes etiológicos da meningite bacteriana (pneumococo, meningococo, Haemophilus influenzae), sendo a escolha empírica inicial até a identificação do agente.

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