Meningite Bacteriana: Interpretação do LCR e Diagnóstico

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de doze anos de idade apresentou, há 48 horas, febre, cefaleia, vômitos e fadiga. Seu exame clínico apontou que se encontrava febril, sonolento, consciente, com temperatura de 39 °C, ausculta cardíaca e respiratória sem alterações, abdome inocente e sinais de Kernig e Brudzinski positivos. Entre os exames laboratoriais, foi coletado líquido cefalorraquidiano com 1.120 leucócitos, sendo 86% neutrófilos(predomínio de polimorfonucleares), proteinorraquia de 150 e glicorraquia de 20, aguardando a cultura. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico correto do paciente.

Alternativas

  1. A) meningoencefalite viral
  2. B) meningite fúngica
  3. C) meningite viral
  4. D) sem diagnóstico
  5. E) meningite bacteriana

Pérola Clínica

LCR: ↑ leucócitos (>1000) + ↑ neutrófilos + ↑ proteína + ↓ glicose → Meningite bacteriana.

Resumo-Chave

A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é crucial para diferenciar os tipos de meningite. A presença de pleocitose com predomínio de neutrófilos, proteinorraquia elevada e glicorraquia baixa é altamente sugestiva de etiologia bacteriana.

Contexto Educacional

A meningite é uma inflamação das membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal, sendo uma emergência médica que requer diagnóstico e tratamento rápidos. A meningite bacteriana, em particular, pode levar a sequelas neurológicas graves e morte se não tratada prontamente. A epidemiologia varia com a idade e o agente etiológico. O diagnóstico da meningite baseia-se na tríade clássica de febre, cefaleia e rigidez de nuca, embora nem sempre presente, especialmente em crianças. Sinais como Kernig e Brudzinski são importantes indicadores de irritação meníngea. A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), obtido por punção lombar, é fundamental para diferenciar a etiologia bacteriana de outras causas, como viral ou fúngica. O tratamento da meningite bacteriana é empírico e deve ser iniciado o mais rápido possível, mesmo antes dos resultados da cultura do LCR, devido à sua alta morbimortalidade. A escolha dos antibióticos depende da idade do paciente e dos patógenos mais prováveis. Corticosteroides, como a dexametasona, podem ser usados em casos específicos para reduzir a inflamação e prevenir sequelas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados no LCR que sugerem meningite bacteriana?

Os achados clássicos incluem pleocitose acentuada (geralmente >1000 células/mm³) com predomínio de neutrófilos, proteinorraquia elevada (>100 mg/dL) e glicorraquia baixa (<40 mg/dL ou <40% da glicemia sérica).

Por que a glicose está baixa no LCR na meningite bacteriana?

As bactérias consomem glicose no LCR para seu metabolismo, além de haver um comprometimento do transporte de glicose através da barreira hematoencefálica inflamada.

Como os sinais de Kernig e Brudzinski auxiliam no diagnóstico de meningite?

Esses sinais indicam irritação meníngea. O sinal de Kernig é dor e espasmo dos isquiotibiais ao estender a perna flexionada, e o de Brudzinski é a flexão involuntária dos joelhos e quadris ao flexionar o pescoço.

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