Meningite Bacteriana: Achados Chave no Exame do LCR

Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2020

Enunciado

O exame liquórico nas meningites bacterianas apresenta as seguintes características:

Alternativas

  1. A) Proteínas normais, glicose baixa, celularidade aumentada às custas de neutrófilos.
  2. B) Proteínas aumentadas, glicose diminuída, celularidade aumentada às custas de neutrófilos.
  3. C) Proteínas aumentadas, glicose normal e aumento de celularidade às custas de infomononucleares.
  4. D) Proteínas diminuídas, glicose diminuída, aumento da celularidade de neutrófilos.

Pérola Clínica

Meningite Bacteriana (LCR): Proteínas ↑, Glicose ↓, Celularidade ↑ (neutrófilos).

Resumo-Chave

Na meningite bacteriana, o exame do líquido cefalorraquidiano (LCR) tipicamente revela um aumento significativo das proteínas (hiperproteinorraquia), uma diminuição da glicose (hipoglicorraquia) e uma pleocitose acentuada, predominantemente às custas de neutrófilos.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana é uma emergência médica grave, caracterizada pela inflamação das meninges causada por bactérias. O diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento antibiótico são cruciais para reduzir a morbimortalidade. A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), obtido por punção lombar, é a ferramenta diagnóstica mais importante para confirmar a suspeita e diferenciar a etiologia. As características típicas do LCR na meningite bacteriana incluem: pressão de abertura elevada, indicando aumento da pressão intracraniana; pleocitose, que é o aumento do número de células, predominantemente neutrófilos (geralmente >1000 células/mm³ com >80% de neutrófilos), refletindo a resposta inflamatória aguda à infecção bacteriana; hiperproteinorraquia, ou seja, aumento das proteínas (>100 mg/dL), devido ao extravasamento de proteínas plasmáticas pela barreira hematoencefálica inflamada; e hipoglicorraquia, que é a diminuição da glicose no LCR (<40 mg/dL ou relação glicose LCR/sérica <0,4), resultante do consumo de glicose pelas bactérias e pela disfunção do transporte através da barreira. Para o residente, a interpretação correta do LCR é uma habilidade essencial. A distinção entre meningite bacteriana e viral é vital, pois o manejo e o prognóstico são drasticamente diferentes. Enquanto a meningite bacteriana exige antibioticoterapia empírica imediata, a viral é frequentemente autolimitada e requer apenas tratamento de suporte. Conhecer esses padrões permite uma tomada de decisão rápida e informada, impactando diretamente a vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos do LCR na meningite bacteriana?

Na meningite bacteriana, o LCR tipicamente mostra pressão de abertura elevada, pleocitose acentuada (geralmente >1000 células/mm³) com predomínio de neutrófilos, hiperproteinorraquia (>100 mg/dL) e hipoglicorraquia (glicose <40 mg/dL ou relação LCR/glicose sérica <0,4).

Como diferenciar a meningite bacteriana da viral pelo LCR?

A meningite bacteriana apresenta predomínio de neutrófilos, glicose muito baixa e proteínas elevadas. Já na meningite viral, há predomínio de linfócitos, glicose normal ou levemente diminuída e proteínas levemente elevadas.

Por que a glicose está diminuída no LCR na meningite bacteriana?

A diminuição da glicose (hipoglicorraquia) ocorre porque as bactérias consomem a glicose presente no LCR para seu metabolismo, e há também um comprometimento do transporte de glicose através da barreira hematoencefálica inflamada.

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