Meningite Meningocócica: Diagnóstico e Agente Etiológico

IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Paciente masculino, 22 anos, solteiro, previamente hígido. Deu entrada na emergência, com queixa de mal-estar, mialgia, náuseas e vômito e fotofobia com evolução de 12 horas. Durante a primeira avaliação clínica, apresentava-se letárgico e febril. Foram observadas petéquias por todo o corpo, principalmente no tronco e nos membros inferiores. Solicitados exames laboratoriais: hematócrito 45%, leucometria 19.400mm³ com bastões na periferia, plaquetas 95.000 mm³, PCR 23mg/dl. Tomografia computadorizada de crânio sem alterações agudas. Realizada punção lombar, com saída de líquor de aspecto turvo e com os seguintes resultados:A principal hipótese diagnostica e o agente etiológico envolvido, são:

Alternativas

  1. A) Meningite meningocócica/ N. meningitidis 
  2. B) Empiema subdural/ S. pneumoniae 
  3. C) Encefalite viral/ Herpes simplex virus (HSV) 
  4. D) Febre das montanhas rochosas/ Rickettsia

Pérola Clínica

Meningite bacteriana (meningocócica) → líquor turvo, petéquias, febre, letargia, leucocitose com bastões.

Resumo-Chave

O quadro clínico de febre, letargia, mialgia, náuseas, vômitos, fotofobia e petéquias, associado a um líquor turvo com pleocitose e leucocitose com bastões, é altamente sugestivo de meningite bacteriana, sendo a meningocócica (causada por Neisseria meningitidis) uma das principais hipóteses, especialmente na presença de petéquias.

Contexto Educacional

A meningite é uma inflamação das membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal, sendo uma emergência médica que exige diagnóstico e tratamento rápidos. A meningite bacteriana, em particular, é grave e pode levar a sequelas neurológicas permanentes ou óbito se não tratada prontamente. O quadro clínico clássico inclui febre, cefaleia, rigidez de nuca e alteração do estado mental. No entanto, em casos de meningococcemia, causada pela Neisseria meningitidis, podem surgir petéquias e púrpura fulminans, indicando uma infecção sistêmica grave. A análise do líquor cefalorraquidiano (LCR) é fundamental para o diagnóstico diferencial. Na meningite bacteriana, o LCR é tipicamente turvo, com pleocitose neutrofílica, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia. A Neisseria meningitidis é um dos principais agentes etiológicos da meningite bacteriana, especialmente em surtos e em pacientes jovens. A presença de petéquias é um forte indicativo de infecção meningocócica. O tratamento empírico com antibióticos de amplo espectro deve ser iniciado imediatamente após a coleta de culturas, sem aguardar os resultados laboratoriais, para otimizar o prognóstico do paciente. Residentes e estudantes devem estar aptos a reconhecer rapidamente essa condição e iniciar a conduta adequada.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos do líquor na meningite bacteriana?

Na meningite bacteriana, o líquor tipicamente apresenta-se turvo, com pleocitose de predomínio neutrofílico (>1000 células/mm³), proteinorraquia elevada (>100 mg/dL) e glicorraquia baixa (<40 mg/dL ou <40% da glicemia).

Por que as petéquias são um sinal importante na meningite?

As petéquias, especialmente no tronco e membros inferiores, são um achado clássico da meningococcemia, a forma sistêmica da infecção por Neisseria meningitidis, indicando vasculite e coagulopatia, e um sinal de gravidade.

Qual a conduta inicial em caso de suspeita de meningite bacteriana?

A conduta inicial inclui estabilização do paciente, coleta de líquor (se não houver contraindicações), hemoculturas e início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, antes mesmo da confirmação laboratorial.

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