UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
Lactente de 6 meses apresenta infecção de vias aéreas superiores há dois dias. Evoluiu com febre alta, irritabilidade e inapetência há cerca de oito horas. As vacinas do Plano Nacional de Imunização estão atualizadas. Ao exame, não foram encontrados sinais de irritação meníngea ou sinais focais. Na investigação diagnóstica, a análise liquórica evidenciou celularidade de 100 células/mm³, sendo 70% de polimorfonuclear, proteínas 90mg/dL e glicose de 40mg/dL (sérica 90mg/dL). Considerando o diagnóstico mais provável nesse caso, é correto afirmar que a:
LCR: ↑ celularidade PMN, ↑ proteínas, ↓ glicose + clínica = Meningite Bacteriana → Ceftriaxona + Vancomicina empírica.
O perfil liquórico com pleocitose predominantemente polimorfonuclear, hiperproteinorraquia e hipoglicorraquia é altamente sugestivo de meningite bacteriana, mesmo na ausência de sinais meníngeos clássicos em lactentes, justificando o tratamento empírico com ceftriaxona e vancomicina.
A meningite bacteriana é uma infecção grave das meninges, especialmente perigosa em lactentes, onde os sinais e sintomas podem ser inespecíficos e a progressão da doença é rápida. A suspeita clínica é fundamental, mesmo na ausência de sinais clássicos de irritação meníngea, que são menos comuns em crianças pequenas. Febre alta, irritabilidade, inapetência e letargia são sinais de alerta que devem levar à investigação. A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é o pilar diagnóstico. Um LCR com pleocitose (aumento do número de células) com predomínio de polimorfonucleares, proteínas elevadas (hiperproteinorraquia) e glicose reduzida (hipoglicorraquia, relação LCR/sérica < 0,4) é altamente sugestivo de etiologia bacteriana. A hemocultura também é importante para identificar o agente etiológico e guiar o tratamento definitivo. O tratamento empírico deve ser iniciado imediatamente após a coleta do LCR e hemoculturas, sem aguardar os resultados. Em lactentes com vacinação atualizada, os principais agentes etiológicos ainda incluem Streptococcus pneumoniae (com possível resistência à penicilina/cefalosporinas) e Neisseria meningitidis. Por isso, a combinação de uma cefalosporina de terceira geração (ex: ceftriaxona ou cefotaxima) com vancomicina é a recomendação empírica para cobrir um amplo espectro de bactérias, incluindo cepas de S. pneumoniae resistentes, garantindo a cobertura adequada até a identificação do patógeno.
LCR típico de meningite bacteriana apresenta pleocitose com predomínio de polimorfonucleares, hiperproteinorraquia (proteínas elevadas) e hipoglicorraquia (glicose baixa em relação à glicemia sérica, LCR/sérica < 0,4).
A TC de crânio é recomendada antes da PL apenas se houver sinais de hipertensão intracraniana, papiledema, déficits neurológicos focais, convulsões recentes ou imunocomprometimento, para evitar herniação cerebral. Na ausência desses sinais, a PL deve ser realizada prontamente.
O tratamento empírico inicial para meningite bacteriana em lactentes, especialmente com vacinação atualizada, geralmente inclui uma cefalosporina de terceira geração (como ceftriaxona ou cefotaxima) associada à vancomicina para cobrir possíveis cepas resistentes de Streptococcus pneumoniae.
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