UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Mulher, 63a, trazida por familiares ao Pronto Atendimento com febre, cefaleia e vômitos há dois dias. Antecedentes pessoais: diabetes melito em uso de metformina. Exame físico: regular estado geral, acianótica, anictérica, febril, descorada +/4, desidratada 2+/4, eupneica, sonolenta, PA=102/64mmHg, T=38,5oC, FC=110bpm, FR=24irpm, glicemia capilar=300mg/dL. Sinal de Kernig presente; ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Exames laboratoriais: hemoglobina=11g/dL, leucócitos=15.420/mm³, plaquetas=110.000/mm³, creatinina=1,5mg/dL, potássio=3,4=mEq/L, sódio=130mEq/L, hemoglobina glicada=10%. Coletadas culturas.O AGENTE ETIOLÓGICO QUE DIRECIONA O TRATAMENTO INICIAL É:
Meningite em idoso/diabético: Cobrir Listeria monocytogenes (ampicilina) + S. pneumoniae/N. meningitidis (ceftriaxona/cefotaxima).
A presença de febre, cefaleia, vômitos e sinal de Kernig em uma paciente idosa e diabética sugere fortemente meningite bacteriana. Nesses pacientes, a imunossupressão (mesmo que leve pelo diabetes) aumenta o risco de infecção por Listeria monocytogenes, que requer cobertura específica com ampicilina, além da cobertura usual para Streptococcus pneumoniae e Neisseria meningitidis.
A meningite bacteriana é uma emergência médica que requer diagnóstico e tratamento rápidos para evitar sequelas neurológicas graves e morte. Em pacientes idosos e com comorbidades como diabetes melito, o quadro clínico pode ser atípico, com sintomas menos exuberantes, mas a presença de febre, cefaleia, vômitos e sinais meníngeos (como Kernig e Brudzinski) deve levantar alta suspeita. O diabetes, mesmo que aparentemente controlado, confere um estado de imunossupressão que aumenta o risco de infecções oportunistas. Os principais agentes etiológicos da meningite bacteriana em adultos são Streptococcus pneumoniae e Neisseria meningitidis. No entanto, em grupos de risco como idosos (>50 anos), imunocomprometidos (incluindo diabéticos, transplantados, HIV positivos) e gestantes, a Listeria monocytogenes torna-se um patógeno relevante. A Listeria é um bacilo gram-positivo que pode causar meningite, encefalite e bacteremia, e sua cobertura é essencial no tratamento empírico desses grupos. O tratamento empírico inicial da meningite bacteriana deve ser iniciado imediatamente após a coleta de culturas (sangue e líquor, se possível) e antes dos resultados. Para pacientes como o do caso, a recomendação é uma cefalosporina de terceira geração (ceftriaxona ou cefotaxima) para S. pneumoniae e N. meningitidis, associada à ampicilina para cobrir Listeria monocytogenes. A dexametasona também é indicada para reduzir a inflamação e melhorar o prognóstico, devendo ser administrada antes ou concomitantemente à primeira dose de antibiótico.
Em adultos idosos e diabéticos, além dos agentes comuns como Streptococcus pneumoniae e Neisseria meningitidis, a Listeria monocytogenes é um patógeno importante devido à imunossupressão associada à idade e comorbidades, exigindo cobertura específica.
O tratamento empírico inicial deve incluir uma cefalosporina de terceira geração (ceftriaxona ou cefotaxima) para cobrir S. pneumoniae e N. meningitidis, e ampicilina para cobrir Listeria monocytogenes. Dexametasona também é indicada antes ou com a primeira dose de antibiótico.
A tríade clássica de febre, cefaleia e vômitos, associada à sonolência e ao sinal de Kernig positivo, são fortes indicativos de meningite. A leucocitose e a glicemia elevada são achados inespecíficos, mas a presença de diabetes é um fator de risco importante.
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