Meningite Bacteriana: Vancomicina para S. pneumoniae Resistente

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

Pré-escolar, sexo masculino, 4 anos de idade, hígido, foi levado ao serviço de emergência devido a quadro de febre de até 39,2 °C, vómitos e cefaleia frontal há 1 dia. Sem sintomas respiratórios, sem diarreia, sem alterações urinárias. Na entrada, paciente em regular estado geral, com presença de rigidez de nuca, sinais de Kernig e Brudzinski positivos, sem outros achados relevantes. Colhido líquor, com 1250 células (80% neutrófilos, 20% linfócitos), proteinorraquia 160 mg/dL, Glicorraquia 18 mg/dL, glicemia sérica 102 mg/dL. Aguarda resultado de culturas e bacterioscopia. Foi optado pela introdução de antibioticoterapia com Ceftriaxone e Vancomicina. A opção de introdução de vancomicina neste caso visa melhorar a cobertura de espécimes mais resistentes de:

Alternativas

  1. A) Haemophilus influenzae tipo B.
  2. B) Neisseria meningitidis.
  3. C) Listeria monocytogenes.
  4. D) Streptococcus pneumoniae.
  5. E) Acinetobacter baumannii.

Pérola Clínica

Vancomicina na meningite empírica → cobrir S. pneumoniae resistente à penicilina/cefalosporinas de 3ª geração.

Resumo-Chave

A adição de vancomicina ao esquema empírico com ceftriaxona na meningite bacteriana em crianças visa cobrir cepas de Streptococcus pneumoniae com resistência intermediária ou alta à penicilina e às cefalosporinas de terceira geração, que são prevalentes em algumas regiões.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana é uma emergência médica pediátrica que requer diagnóstico e tratamento imediatos para evitar sequelas neurológicas graves ou óbito. O quadro clínico clássico inclui febre, cefaleia, vômitos, rigidez de nuca e sinais meníngeos positivos (Kernig e Brudzinski). A análise do líquor é fundamental para o diagnóstico, revelando pleocitose com predomínio de neutrófilos, hiperproteinorraquia e hipoglicorraquia. O tratamento empírico da meningite bacteriana deve ser iniciado imediatamente após a coleta do líquor, sem aguardar os resultados de culturas e bacterioscopia. Em crianças pré-escolares, os principais agentes etiológicos são Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e, em menor proporção devido à vacinação, Haemophilus influenzae tipo B. A escolha da antibioticoterapia empírica geralmente inclui uma cefalosporina de terceira geração, como a ceftriaxona, que possui boa penetração no sistema nervoso central e cobre a maioria dos patógenos. No entanto, devido à crescente prevalência de cepas de Streptococcus pneumoniae resistentes à penicilina e às cefalosporinas de terceira geração, a adição de vancomicina ao esquema empírico é recomendada, especialmente em regiões com alta resistência ou em pacientes com fatores de risco para infecção por cepas resistentes. A vancomicina garante a cobertura adequada contra esses patógenos mais resistentes, otimizando o tratamento inicial.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos no líquor de meningite bacteriana?

O líquor típico de meningite bacteriana apresenta pleocitose com predomínio de neutrófilos, proteinorraquia elevada e glicorraquia baixa (consumo de glicose pelas bactérias), com relação glicose líquor/sérica < 0,4.

Por que a vancomicina é adicionada à ceftriaxona no tratamento empírico da meningite?

A vancomicina é adicionada para garantir cobertura contra cepas de Streptococcus pneumoniae que podem apresentar resistência à penicilina e às cefalosporinas de terceira geração, como a ceftriaxona, otimizando a terapia inicial.

Quais são os principais agentes etiológicos da meningite bacteriana em pré-escolares?

Em pré-escolares, os principais agentes são Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e, em menor grau devido à vacinação, Haemophilus influenzae tipo B. A prevalência varia com o status vacinal da população.

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