SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2022
JBC é um escolar de 8 anos, 25 kg que vem evoluindo com cefaleia, vômitos e febre baixa há 3 dias. Ao exame clínico, encontra-se com EGR, mucosas secas e rigidez de nuca. Escala de coma de Glasgow = 15, sem outras alterações. Foi indicada coleta de LCR que revelou: líquido discretamente opalescente. Presença de 450 células, com 78% linfomononucleares e 22% polimorfonucleares, glicose - 56mg/dl, proteína=48mg/dl, reações de Pandy e Nonne negativas. Através da coloração de Gram, não foram visualizadas bactérias. Foi enviado material para cultura. Assinale a alternativa que indica a conduta CORRETA a ser tomada no momento do internamento.
Meningite asséptica (viral) → LCR com predomínio linfomononuclear, glicose normal, proteína levemente ↑, Gram negativo. Conduta: sintomáticos.
Em casos de meningite com LCR mostrando predomínio linfomononuclear, glicose normal e Gram negativo, a hipótese de meningite viral é a mais provável. Nesses cenários, se o paciente estiver clinicamente estável, a antibioticoterapia empírica não é indicada, priorizando-se o tratamento sintomático e a observação.
A meningite asséptica, frequentemente de etiologia viral, é uma inflamação das meninges que se manifesta com sintomas semelhantes à meningite bacteriana, como cefaleia, febre e rigidez de nuca. É crucial para o residente saber diferenciar as duas condições, pois a conduta terapêutica é drasticamente diferente. A epidemiologia da meningite viral é ampla, com diversos vírus podendo causar o quadro, sendo os enterovírus os mais comuns, especialmente em crianças. O diagnóstico correto evita tratamentos desnecessários e otimiza o manejo do paciente. A fisiopatologia da meningite viral envolve a replicação viral no sistema nervoso central, levando à resposta inflamatória. O diagnóstico é primariamente feito pela análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), que revela um padrão característico de pleocitose linfomononuclear, glicose normal e proteínas discretamente elevadas, com Gram negativo. A suspeita deve ser alta em pacientes com quadro clínico compatível e este perfil de LCR, especialmente se não houver sinais de gravidade ou instabilidade hemodinâmica. O tratamento da meningite viral é predominantemente sintomático, incluindo hidratação, analgésicos e antipiréticos. Não há necessidade de antibioticoterapia, que é reservada para a meningite bacteriana. O prognóstico da meningite viral é geralmente bom, com recuperação completa na maioria dos casos. É fundamental a observação clínica para monitorar a evolução e descartar outras etiologias, mas o uso racional de antibióticos é um pilar da boa prática médica.
Na meningite viral, o LCR tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de linfomononucleares, glicose normal ou levemente reduzida, e proteínas normais ou levemente elevadas. A coloração de Gram é negativa, e a cultura bacteriana é estéril.
A antibioticoterapia empírica é indicada na suspeita de meningite bacteriana, especialmente em pacientes com sinais de gravidade, LCR com predomínio de polimorfonucleares, glicose baixa e proteínas elevadas. Em casos de meningite viral confirmada ou altamente provável e paciente estável, antibióticos não são necessários.
A meningite bacteriana geralmente cursa com pleocitose polimorfonuclear (>80%), glicose muito baixa (<40 mg/dL) e proteínas elevadas (>100 mg/dL), além de Gram positivo em muitos casos. A meningite viral, por outro lado, tem predomínio linfomononuclear, glicose normal e proteínas discretamente elevadas.
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