Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Lactente, sexo masculino, 15 meses, é admitido no hos- pital com história de 1 dia de febre, diminuição da aceitação alimentar e 2 episódios de vômitos sem diarreia. Apresenta-se em bom estado geral e consciente, sem lesões de pele. Apresentava rigidez nucal duvidosa ao exame físico, e optou-se por uma punção lombar, e a análise do líquor (LCR) que demonstra 40 leucócitos/mL, com absoluta predominância de linfócitos, níveis normais da glicorraquia e das proteínas. Não se tem ainda resultados de hemograma, provas inflamatórias, baciloscopia ou PCR do LCR.Diante do exposto, qual tratamento empírico inicial é indicado enquanto são aguardados os demais exames?
LCR com pleocitose linfocitária, glicose e proteínas normais → alta suspeita de meningite viral; tratamento inicial = sintomáticos.
O perfil do LCR (pleocitose linfocitária, glicose e proteínas normais) é altamente sugestivo de meningite asséptica, geralmente de etiologia viral. Nesses casos, o tratamento é primariamente de suporte, aguardando a evolução clínica e resultados de exames complementares.
A meningite asséptica, frequentemente de etiologia viral, é uma inflamação das meninges que se manifesta com sintomas inespecíficos em lactentes, como febre, vômitos e irritabilidade. A epidemiologia mostra que enterovírus são os agentes mais comuns, especialmente em crianças. A diferenciação entre meningite viral e bacteriana é crucial, pois as condutas terapêuticas são distintas e o prognóstico pode variar significativamente. O diagnóstico baseia-se na análise do líquido cefalorraquidiano (LCR). Na meningite viral, o LCR tipicamente revela pleocitose com predomínio de linfócitos, glicorraquia normal e proteínas normais ou discretamente elevadas. A rigidez de nuca pode ser sutil ou ausente em lactentes. A fisiopatologia envolve a replicação viral nas meninges, causando inflamação sem a presença de bactérias detectáveis por coloração de Gram ou cultura. O tratamento da meningite viral é primariamente de suporte, visando aliviar os sintomas como febre e vômitos. Antibióticos e antivirais específicos não são indicados rotineiramente, a menos que haja forte suspeita de etiologia bacteriana ou herpética, respectivamente. A monitorização clínica é essencial, e a maioria dos casos de meningite viral tem um curso benigno e autolimitado, com recuperação completa.
Na meningite viral, o LCR tipicamente apresenta pleocitose com predomínio linfocitário, glicorraquia normal e proteínas normais ou discretamente elevadas.
A suspeita de meningite bacteriana aumenta com febre alta, irritabilidade, letargia, convulsões, sinais meníngeos claros e LCR com pleocitose neutrofílica, glicorraquia baixa e proteínas elevadas.
O aciclovir é considerado em casos de suspeita de meningite herpética, especialmente em neonatos ou pacientes com lesões cutâneas sugestivas, mas não é rotina para todas as meningites virais.
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