Meningite Asséptica por Enterovírus: Diagnóstico e Achados

AFAMCI - Hospital dos Plantadores de Cana (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Adolescente é trazido por seu pai ao serviço de emergência pediátrica. Ele está há 02 dias com dor de cabeça, rigidez cervical, fotofobia e, nesta manhã, a temperatura era de 38,9°C. Ele também teve vários episódios de diarreia e vômito durante a noite. A punção lombar mostra pelocitose no liquor. Com relação à meningite asséptica por enterovírus, qual das alternativas é correta? 

Alternativas

  1. A) Proteinorraquia elevada exclui a possibilidade de meningite por enterovírus.
  2. B) Enterovírus são responsáveis por até 90% dos casos de meningite asséptica em crianças.
  3. C) Há um predomínio de linfócitos no início, com aumento de neutrófilos após 24 horas. 
  4. D) Os sintomas são mais graves em crianças que em adultos.
  5. E) Os casos de meningite asséptica por enterovírus ocorrem mais comumente, no inverno e na primavera.

Pérola Clínica

Meningite asséptica em criança + pleocitose liquórica + sintomas GI → Enterovírus (até 90% dos casos).

Resumo-Chave

Enterovírus são a causa mais comum de meningite asséptica em crianças, responsáveis por até 90% dos casos. O quadro clínico inclui febre, cefaleia, rigidez cervical e fotofobia, frequentemente acompanhados de sintomas gastrointestinais. O líquor tipicamente mostra pleocitose com predomínio linfocitário, embora neutrófilos possam ser predominantes no início.

Contexto Educacional

A meningite asséptica é uma síndrome clínica caracterizada por sinais e sintomas de irritação meníngea (cefaleia, rigidez de nuca, fotofobia) com inflamação das meninges, mas sem evidência de infecção bacteriana no líquor. Os enterovírus são a causa mais comum de meningite asséptica, especialmente em crianças, sendo responsáveis por até 90% dos casos. O diagnóstico é baseado na apresentação clínica e na análise do líquor. Os achados típicos no líquor incluem pleocitose (geralmente entre 10 e 500 células/mm³), com predomínio de linfócitos, embora um predomínio de neutrófilos possa ser observado nas primeiras 24-48 horas. A glicose no líquor é normal e a proteinorraquia pode ser normal ou levemente elevada. O tratamento da meningite asséptica por enterovírus é de suporte, pois não há terapia antiviral específica. A maioria dos pacientes se recupera completamente sem sequelas. É importante excluir causas bacterianas tratáveis, especialmente em casos mais graves ou com achados atípicos no líquor, para evitar atrasos no tratamento de uma meningite bacteriana.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados típicos no líquor de um paciente com meningite asséptica por enterovírus?

O líquor tipicamente apresenta pleocitose (aumento do número de células), com predomínio de linfócitos. A proteinorraquia pode estar normal ou levemente elevada, e a glicose geralmente é normal.

Por que os enterovírus são tão prevalentes na meningite asséptica pediátrica?

Os enterovírus são altamente contagiosos e se replicam no trato gastrointestinal e respiratório, sendo transmitidos por via fecal-oral e respiratória. Sua ampla circulação, especialmente em crianças, os torna a causa mais comum de meningite asséptica.

Como diferenciar a meningite asséptica viral da bacteriana no início do quadro?

A diferenciação inicial pode ser desafiadora. A meningite bacteriana geralmente apresenta quadro mais grave, com glicose baixa e proteinorraquia muito elevada no líquor, além de predomínio neutrofílico persistente. A cultura de líquor é fundamental para a confirmação bacteriana.

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