UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2015
Homem, 32 anos, previamente hígido, relata quadro de cefaleia intensa há 48h acompanhada de fotofobia e irritabilidade. Refere também mialgia, náuseas, vômitos e diarreia na semana anterior. Ao exame clínico: rigidez de nuca positiva; Tax = 38,2°C. Exames laboratoriais: liquor: 280 leucócitos/ml; 75% linfócitos; hemácias 30/ml; proteínas 50 mg/dl; glicose 60 mg/dl; pesquisa de Gram-negativo; tinta da China negativo. Assinale a alternativa CORRETA:
Meningite asséptica (viral) → LCR com linfocitose, glicose normal, proteínas levemente ↑. Prodromo GI comum com enterovírus.
O quadro clínico e liquórico (linfocitose, glicose normal, proteínas discretamente elevadas) são altamente sugestivos de meningite asséptica, com etiologia viral sendo a mais provável, especialmente enterovírus, dado o pródromo gastrointestinal. A conduta inicial deve focar em sintomáticos e investigação etiológica específica, sem necessidade de aciclovir empírico imediato, a menos que haja forte suspeita de encefalite herpética.
A meningite asséptica é uma inflamação das meninges sem evidência de infecção bacteriana comum, sendo a etiologia viral a mais frequente, com os enterovírus respondendo pela maioria dos casos. É uma condição comum na prática clínica e de grande importância para residentes, pois o diagnóstico diferencial e a conduta inicial são cruciais para evitar tratamentos desnecessários e identificar casos que demandam intervenção específica. A epidemiologia mostra picos de incidência em meses mais quentes para enterovírus. O diagnóstico baseia-se na análise do líquor cefalorraquidiano (LCR), que tipicamente revela pleocitose com predomínio de linfócitos, glicose normal e proteínas normais ou discretamente elevadas. A história clínica, como o pródromo gastrointestinal ou respiratório, é fundamental para direcionar a investigação etiológica, como a amplificação para enterovírus no LCR. A tomografia de crânio é solicitada para excluir lesões expansivas ou sinais de hipertensão intracraniana antes da punção lombar, ou para investigar complicações, mas pode ser feita após a LP se houver indicação clínica. O tratamento da meningite viral é geralmente sintomático, com repouso, hidratação e analgésicos/antitérmicos. O uso de antivirais como o aciclovir é restrito a casos com forte suspeita de etiologia herpética. O prognóstico da meningite viral é geralmente bom, com recuperação completa na maioria dos casos. É vital diferenciar da meningite bacteriana, que exige tratamento antibiótico imediato e agressivo, e de outras causas de meningite asséptica, como fúngicas ou tuberculosas, que possuem tratamentos específicos.
Em uma meningite viral, o LCR tipicamente apresenta pleocitose com predomínio linfocítico, glicose normal ou discretamente reduzida, e proteínas normais ou levemente elevadas. A pesquisa de Gram e tinta da China são negativas.
Deve-se suspeitar de meningite por enterovírus quando há um quadro de meningite asséptica, especialmente se precedido por sintomas gastrointestinais (náuseas, vômitos, diarreia) ou respiratórios, e em surtos sazonais.
O aciclovir empírico é indicado quando há forte suspeita de encefalite herpética, que pode cursar com meningite, especialmente se houver alterações focais, convulsões, deterioração do nível de consciência ou hemácias no LCR, mesmo com predomínio linfocítico.
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