CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2016
Assinale a alternativa correta sobre o meningioma da bainha do nervo óptico:
Meningioma da bainha do nervo óptico = unilateral + perda visual lenta + mulheres meia-idade.
Tumor benigno de crescimento lento originado das células meningoteliais da aracnoide que envolve o nervo óptico, causando compressão progressiva.
O meningioma da bainha do nervo óptico representa cerca de 1% a 2% de todos os meningiomas. Diferente dos meningiomas intracranianos que comprimem o nervo secundariamente, este nasce da própria bainha orbital. A fisiopatologia envolve a compressão mecânica direta das fibras nervosas e a interferência no fluxo axoplasmático e vascular. O diagnóstico diferencial principal é o glioma do nervo óptico. Enquanto o meningioma 'envolve' o nervo (sinal do trilho), o glioma causa um alargamento intrínseco e fusiforme do próprio nervo. A ultrassonografia pode auxiliar, mas a Ressonância Magnética de órbita com supressão de gordura e contraste é o padrão-ouro para avaliação da extensão e planejamento terapêutico.
O meningioma da bainha do nervo óptico (MBNO) é mais frequente em adultos de meia-idade, com uma predileção marcante pelo sexo feminino (proporção de aproximadamente 3:1). Embora possa ocorrer em crianças, nestas o comportamento tende a ser muito mais agressivo e invasivo. Na maioria dos casos adultos, a apresentação é esporádica e unilateral. Casos bilaterais são raros e podem estar associados à neurofibromatose tipo 2 ou a meningiomas da asa do esfenoide que se estendem para ambos os canais ópticos.
Clinicamente, o paciente apresenta a tríade clássica: perda visual progressiva e indolor, atrofia óptica (ou edema de disco inicial) e presença de vasos colaterais optociliares (shunts) no disco óptico. Na tomografia computadorizada ou ressonância magnética com contraste, observa-se o 'sinal do trilho de trem' (tram-track sign), onde a bainha do nervo espessada e impregnada pelo contraste envolve o nervo óptico radiolucente, que permanece preservado no centro.
O manejo depende da acuidade visual e da taxa de progressão. Em pacientes com visão preservada e crescimento lento, a observação com exames seriados pode ser indicada. Quando há perda visual progressiva, a radioterapia conformacional ou fracionada é o tratamento de escolha, pois estabiliza ou até melhora a visão em muitos casos. A cirurgia de ressecção tumoral é geralmente evitada, pois a tentativa de remover o tumor da bainha invariavelmente compromete o suprimento sanguíneo do nervo óptico, levando à cegueira imediata.
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