CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2022
Qual alternativa abaixo representaria mais classicamente o aspecto de nervo óptico esperado para um paciente com meningioma da bainha de nervo óptico?
Meningioma da bainha → Tríade: Perda visual + Atrofia óptica + Vasos colaterais optociliares.
Os vasos colaterais optociliares (shunts) surgem para drenar o sangue da retina para a coroide quando o fluxo venoso central é obstruído pela compressão do tumor.
O meningioma da bainha do nervo óptico (MBNO) é um tumor benigno, mas que pode levar à cegueira irreversível por compressão direta das fibras nervosas e comprometimento vascular. O sinal mais característico no exame de fundo de olho é a presença de vasos colaterais optociliares. Esses vasos representam uma tentativa do organismo de manter o débito venoso retiniano diante de uma compressão crônica. Além do MBNO, eles podem ser vistos em gliomas de via óptica, sarcoidose e após oclusões da veia central da retina. O reconhecimento desse sinal clínico permite ao oftalmologista solicitar os exames de neuroimagem adequados e evitar biópsias desnecessárias, que frequentemente resultam em perda visual total.
Os vasos colaterais optociliares, também conhecidos como shunts optociliares, são vasos venosos pré-existentes que se tornam dilatados e visíveis no disco óptico. Eles ocorrem quando há uma obstrução crônica do fluxo de saída da veia central da retina, geralmente devido à compressão extrínseca lenta exercida por um tumor, como o meningioma da bainha do nervo óptico. Para compensar a obstrução, o sangue venoso retiniano é desviado do sistema venoso central para a circulação ciliar coroideia através desses colaterais. Clinicamente, eles aparecem como vasos tortuosos que desaparecem na borda do disco. Sua presença é altamente sugestiva de meningioma da bainha, diferenciando-o de outras neuropatias.
A tríade clássica, conhecida como tríade de Hoyt-Spencer, consiste em: 1) Perda visual progressiva e indolor; 2) Atrofia óptica (ou edema de papila crônico que evolui para atrofia); 3) Vasos colaterais optociliares no disco óptico. Embora essa tríade seja patognomônica, ela não está presente em todos os casos, especialmente nas fases iniciais. O diagnóstico definitivo geralmente requer exames de imagem, como a Ressonância Magnética com contraste e supressão de gordura, que mostra o clássico sinal do 'trilho de trem' (espessamento da bainha com preservação do nervo central).
A diferenciação é crucial. Os vasos colaterais optociliares são mais calibrosos, possuem um trajeto mais regular (embora tortuoso) e parecem 'mergulhar' na borda do disco para a coroide. Funcionalmente, eles são shunts de baixa pressão. Já a neovascularização de disco (NVD), comum na retinopatia diabética, consiste em vasos frágeis, finos e superficiais que crescem para o vítreo. Na angiografia fluoresceínica, os neovasos apresentam um vazamento intenso de contraste (leakage), enquanto os vasos colaterais optociliares não vazam, pois possuem endotélio íntegro.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo