Meningeomas Orbitários: Diagnóstico e Manejo Clínico

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018

Enunciado

Assinale a alternativa correta quanto aos meningeomas orbitários:

Alternativas

  1. A) Imagem por ressonância magnética com gadolínio é um importante exame de acompanhamento, pois auxilia na detecção de invasão intracraniana do tumor
  2. B) Modernas técnicas microcirúrgicas permitem a realização de biópsia excisional do meningeoma da bainha do nervo óptico com preservação da visão
  3. C) Quando ocorre na infância, sua progressão é incomum
  4. D) Tem padrão histológico benigno e não induz alterações ósseas adjacentes

Pérola Clínica

Meningeoma da bainha → RM com gadolínio é essencial para detectar extensão intracraniana e guiar conduta.

Resumo-Chave

O diagnóstico é clínico-radiológico; a biópsia é evitada pelo alto risco de cegueira iatrogênica e a RM monitora a progressão para o canal óptico.

Contexto Educacional

Os meningeomas orbitários podem ser primários (da bainha do nervo óptico) ou secundários (extensão de meningeomas da asa do esfenoide). Os primários são tumores benignos de crescimento lento, mais comuns em mulheres de meia-idade. Na infância, embora raros, tendem a ser muito mais agressivos e de progressão rápida, ao contrário do que sugere o senso comum de tumores benignos. A tríade clássica de apresentação inclui perda visual progressiva, atrofia óptica (ou edema de disco) e vasos de derivação optociliares (shunt optociliar). O manejo moderno prioriza a observação em casos estáveis e a radioterapia de feixe externo fracionada para casos com progressão documentada da perda visual, visando estabilizar ou até melhorar a visão sem os riscos catastróficos da ressecção cirúrgica.

Perguntas Frequentes

Qual o achado radiológico clássico do meningeoma da bainha?

Na tomografia computadorizada ou ressonância magnética, o meningeoma da bainha do nervo óptico frequentemente apresenta o 'sinal do trilho de trem' (tram-track sign). Isso ocorre porque o tumor, que se origina das células meningoteliais da aracnoide que envolve o nervo, realça intensamente com o contraste, enquanto o nervo óptico central permanece radiolucente (não realça), criando o aspecto de duas linhas paralelas de realce envolvendo o nervo.

Por que a cirurgia é evitada nestes tumores?

Diferente dos meningeomas esfenoidais que comprimem o nervo secundariamente, o meningeoma da bainha do nervo óptico compartilha o suprimento sanguíneo com o próprio nervo óptico (através dos vasos piais). Tentar remover o tumor cirurgicamente compromete a vascularização do nervo, levando à cegueira. Portanto, a cirurgia é reservada apenas para casos de tumores com crescimento intracraniano ameaçador ou em olhos já cegos com proptose desfigurante.

Como é feito o acompanhamento desses pacientes?

O acompanhamento é baseado em exames seriados de acuidade visual, campo visual, reflexos pupilares e exames de imagem. A Ressonância Magnética com gadolínio e supressão de gordura é o exame de escolha para monitorar se o tumor está se estendendo através do canal óptico para o quiasma, o que representaria um risco para a visão do olho contralateral e exigiria radioterapia estereotática.

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