CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018
Assinale a alternativa correta quanto aos meningeomas orbitários:
Meningeoma da bainha → RM com gadolínio é essencial para detectar extensão intracraniana e guiar conduta.
O diagnóstico é clínico-radiológico; a biópsia é evitada pelo alto risco de cegueira iatrogênica e a RM monitora a progressão para o canal óptico.
Os meningeomas orbitários podem ser primários (da bainha do nervo óptico) ou secundários (extensão de meningeomas da asa do esfenoide). Os primários são tumores benignos de crescimento lento, mais comuns em mulheres de meia-idade. Na infância, embora raros, tendem a ser muito mais agressivos e de progressão rápida, ao contrário do que sugere o senso comum de tumores benignos. A tríade clássica de apresentação inclui perda visual progressiva, atrofia óptica (ou edema de disco) e vasos de derivação optociliares (shunt optociliar). O manejo moderno prioriza a observação em casos estáveis e a radioterapia de feixe externo fracionada para casos com progressão documentada da perda visual, visando estabilizar ou até melhorar a visão sem os riscos catastróficos da ressecção cirúrgica.
Na tomografia computadorizada ou ressonância magnética, o meningeoma da bainha do nervo óptico frequentemente apresenta o 'sinal do trilho de trem' (tram-track sign). Isso ocorre porque o tumor, que se origina das células meningoteliais da aracnoide que envolve o nervo, realça intensamente com o contraste, enquanto o nervo óptico central permanece radiolucente (não realça), criando o aspecto de duas linhas paralelas de realce envolvendo o nervo.
Diferente dos meningeomas esfenoidais que comprimem o nervo secundariamente, o meningeoma da bainha do nervo óptico compartilha o suprimento sanguíneo com o próprio nervo óptico (através dos vasos piais). Tentar remover o tumor cirurgicamente compromete a vascularização do nervo, levando à cegueira. Portanto, a cirurgia é reservada apenas para casos de tumores com crescimento intracraniano ameaçador ou em olhos já cegos com proptose desfigurante.
O acompanhamento é baseado em exames seriados de acuidade visual, campo visual, reflexos pupilares e exames de imagem. A Ressonância Magnética com gadolínio e supressão de gordura é o exame de escolha para monitorar se o tumor está se estendendo através do canal óptico para o quiasma, o que representaria um risco para a visão do olho contralateral e exigiria radioterapia estereotática.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo