Coqueluche em Adolescentes: Diagnóstico e Tratamento Antibiótico

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Menina, 14 anos, vem apresentado há 10 dias um quadro catarral com rinorreia, espirros, tosse, lacrimejamento, congestão conjuntival e febre baixa. Apesar da melhora do quadro, a tosse seca piorou e agora está emetizante, e em crises. Ao exame FR 22 irpm, murmúrio vesicular simétrico, estridor inspiratório. Assinale a opção que contém as drogas de primeira e segunda escolha para esse quadro clínico.

Alternativas

  1. A) Sulfametoxazol-trimetoprim e amoxacilina.
  2. B) Eritromicina e sulfametoxazol-trimetoprim.
  3. C) Amoxacilina e azitromicina.
  4. D) Penicilina procaína e amoxacilina.
  5. E) Eritromicina e penicilina procaína.

Pérola Clínica

Tosse paroxística emetizante + estridor inspiratório (guincho) → Coqueluche. Tratamento: Eritromicina (1ª), Sulfametoxazol-trimetoprim (2ª).

Resumo-Chave

O quadro clínico de tosse paroxística emetizante, especialmente após um pródromo catarral, com estridor inspiratório (guincho), é altamente sugestivo de coqueluche (pertussis). Os macrolídeos, como a eritromicina, são a primeira escolha para o tratamento e profilaxia, enquanto o sulfametoxazol-trimetoprim é uma alternativa para pacientes intolerantes ou alérgicos aos macrolídeos.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa, caracterizada por uma tosse paroxística prolongada. Embora mais grave em lactentes, pode afetar indivíduos de qualquer idade, incluindo adolescentes e adultos, que muitas vezes apresentam quadros atípicos ou mais leves, mas continuam sendo fontes de infecção para populações vulneráveis. O diagnóstico da coqueluche é principalmente clínico, baseado na tríade de tosse paroxística, guincho inspiratório e vômitos pós-tosse, especialmente após um pródromo catarral. A confirmação laboratorial pode ser feita por PCR de swab nasofaríngeo ou cultura. A fisiopatologia envolve a adesão da bactéria ao epitélio respiratório e a produção de toxinas que causam inflamação e disfunção ciliar. O tratamento da coqueluche visa erradicar a bactéria e reduzir a transmissibilidade. Os macrolídeos, como a eritromicina, azitromicina ou claritromicina, são as drogas de primeira escolha. A eritromicina é eficaz, mas pode ter mais efeitos gastrointestinais. A azitromicina é frequentemente preferida devido à sua posologia mais conveniente e menor incidência de efeitos adversos. Para pacientes intolerantes ou alérgicos aos macrolídeos, o sulfametoxazol-trimetoprim é a alternativa de segunda escolha. O tratamento precoce, idealmente na fase catarral, pode encurtar a duração da doença, mas seu principal benefício é reduzir a transmissão. Para residentes, é crucial manter um alto índice de suspeita de coqueluche em pacientes com tosse prolongada, especialmente em ambientes de surto ou em contato com lactentes.

Perguntas Frequentes

Quais são as fases clínicas da coqueluche e seus sintomas característicos?

A coqueluche tem três fases: catarral (1-2 semanas, sintomas inespecíficos como rinorreia e tosse leve), paroxística (2-6 semanas, tosse em crises, emetizante, com guincho inspiratório) e convalescente (semanas a meses, melhora gradual da tosse).

Por que os macrolídeos são a primeira escolha para o tratamento da coqueluche?

Os macrolídeos (azitromicina, claritromicina, eritromicina) são eficazes contra a Bordetella pertussis, reduzem a duração da doença se iniciados precocemente na fase catarral e diminuem a transmissibilidade ao erradicar a bactéria da nasofaringe.

Quando a profilaxia pós-exposição é indicada para coqueluche?

A profilaxia é indicada para contatos próximos de casos confirmados de coqueluche, especialmente bebês, gestantes, imunocomprometidos e profissionais de saúde, para prevenir a disseminação da doença e proteger grupos de risco.

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