Anafilaxia Pediátrica: Conduta Inicial e Adrenalina

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2023

Enunciado

Menina de 8 anos, asmática, durante uma festa de aniversário, comeu doces e salgados, brincou muito na grama, quando passou a sentir tosse, cansaço e fez uso de beta 2 agonista de curta duração sem melhora. No pronto socorro, foram observadas placas e pápulas eritematosas com edema central, de tamanhos variados, em tronco, muito pruriginosas, além da presença de um inseto na pele (imagem).A conduta inicial é:

Alternativas

  1. A) anti-histamínico via oral e corticoide intravenoso.
  2. B) inalação com fenoterol e anti-histamínico intravenoso.
  3. C) inalação com fenoterol e corticoide via oral.
  4. D) adrenalina (1:10000) 0,3mg via intramuscular.

Pérola Clínica

Anafilaxia (urticária + sintomas respiratórios/circulatórios) → Adrenalina IM imediata.

Resumo-Chave

A presença de urticária/angioedema associada a sintomas respiratórios (tosse, cansaço, broncoespasmo refratário) e/ou circulatórios (choque) após exposição a um alérgeno (picada de inseto) configura anafilaxia. A adrenalina intramuscular é a conduta inicial e mais importante, salvando vidas.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal, que pode ocorrer após exposição a alérgenos como picadas de insetos, alimentos ou medicamentos. É uma emergência médica que exige reconhecimento imediato e tratamento adequado. Em crianças asmáticas, os sintomas respiratórios podem ser mais pronunciados e confundidos com uma crise de asma grave, mas a presença de sintomas cutâneos (urticária, angioedema) e a falta de resposta a broncodilatadores devem levantar a suspeita de anafilaxia. O diagnóstico de anafilaxia é clínico e baseado na rápida instalação de sintomas que afetam múltiplos sistemas. Os sinais incluem urticária, angioedema, prurido, eritema (pele); tosse, dispneia, sibilos, estridor (respiratório); náuseas, vômitos, dor abdominal (gastrointestinal); e hipotensão, tontura, síncope (cardiovascular). A presença de um inseto na pele e a piora respiratória refratária ao beta-2 agonista, juntamente com as lesões cutâneas, são altamente sugestivas de anafilaxia. A conduta inicial e mais importante na anafilaxia é a administração imediata de adrenalina intramuscular. A adrenalina é o único medicamento que pode reverter a progressão da anafilaxia, agindo como alfa-agonista (vasoconstrição, aumento da pressão arterial) e beta-agonista (broncodilatação, redução da liberação de mediadores). A dose para crianças é de 0,01 mg/kg (solução 1:1000), com dose máxima de 0,3 mg, aplicada na face anterolateral da coxa. Medidas de suporte como oxigênio, fluidos intravenosos e monitorização são também essenciais. Anti-histamínicos e corticoides são adjuvantes, mas não substituem a adrenalina.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar anafilaxia?

Anafilaxia é diagnosticada pela presença de sintomas agudos que envolvem dois ou mais sistemas (pele/mucosas, respiratório, gastrointestinal, cardiovascular) após exposição a um alérgeno, ou hipotensão/broncoespasmo isolados em pacientes com exposição conhecida.

Por que a adrenalina é o tratamento de primeira linha para anafilaxia?

A adrenalina atua rapidamente como vasoconstritor (aumenta a pressão arterial), broncodilatador (melhora a respiração) e estabilizador de mastócitos (reduz a liberação de mediadores), revertendo os sintomas graves da anafilaxia.

Qual a dose e via de administração da adrenalina em crianças com anafilaxia?

A dose recomendada é de 0,01 mg/kg de adrenalina 1:1000 (máximo 0,3 mg para crianças e 0,5 mg para adultos), administrada via intramuscular na face anterolateral da coxa.

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