Hepatite A na Infância: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Menina, 8 anos, apresentou quadro de febre baixa, diarreia, hepatomegalia, icterícia, colúria e hipocolia fecal, com aumento acentuado das enzimas hepáticas. Na ocasião, foi feito diagnóstico de hepatite. Cerca de um mês após, ainda apresentava icterícia, prurido, hepatomegalia e elevação de transaminases. O diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Leptospirose.
  2. B) Mononucleose infecciosa.
  3. C) Hepatite A.
  4. D) Citomegalovirose.

Pérola Clínica

Febre + Icterícia + Transaminases ↑↑↑ em criança → Hepatite A (forma colestática se prurido/icterícia persistirem).

Resumo-Chave

A hepatite A é a principal causa de hepatite viral aguda em crianças. O quadro clínico de febre seguido de icterícia e grande elevação de transaminases é clássico, podendo evoluir com colestase prolongada.

Contexto Educacional

A hepatite A é causada pelo vírus HAV (RNA vírus), transmitido principalmente pela via fecal-oral. Na pediatria, a maioria dos casos em crianças menores de 6 anos é assintomática ou anictérica, mas em crianças maiores e adultos, o quadro costuma ser sintomático. O diagnóstico é confirmado pela presença de anticorpos IgM anti-HAV no soro. É fundamental destacar que o vírus da hepatite A não causa hepatite crônica. No entanto, complicações como hepatite fulminante (rara) ou formas recidivantes e colestáticas podem ocorrer. O tratamento é de suporte, com repouso relativo e dieta conforme tolerância, evitando-se drogas hepatotóxicas. A vacinação é a medida preventiva mais eficaz e faz parte do calendário nacional de imunização.

Perguntas Frequentes

Quais são as fases clínicas típicas da Hepatite A?

A hepatite A geralmente apresenta três fases: prodrômica, ictérica e de convalescença. A fase prodrômica dura cerca de uma semana e manifesta-se com febre baixa, mal-estar, náuseas e dor abdominal. A fase ictérica segue-se com o aparecimento de colúria, hipocolia fecal e icterícia visível, acompanhada de hepatomegalia dolorosa e elevação acentuada de ALT/AST (frequentemente > 1000 U/L). A fase de convalescença marca a resolução dos sintomas e normalização laboratorial, que pode levar semanas.

O que caracteriza a forma colestática da Hepatite A?

Embora a hepatite A seja geralmente autolimitada, alguns pacientes desenvolvem a variante colestática. Esta é caracterizada por icterícia prolongada (mais de 4 semanas), prurido intenso, perda de peso e elevação persistente de bilirrubina direta e fosfatase alcalina, mesmo após a melhora das transaminases. É uma condição benigna que não evolui para cronicidade, mas exige suporte clínico para o manejo do prurido e monitoramento da função hepática.

Como diferenciar Hepatite A de Leptospirose no quadro clínico?

A leptospirose (forma de Weil) também causa icterícia e hepatomegalia, mas geralmente apresenta febre alta, mialgia intensa (especialmente em panturrilhas), sufusão conjuntival e, crucialmente, disfunção renal com hipocalemia. Na hepatite A, a elevação das transaminases é muito mais proeminente do que na leptospirose, e a função renal costuma estar preservada. O histórico epidemiológico (exposição a enchentes vs. saneamento precário) também ajuda no diagnóstico.

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