UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2019
Dona M. trouxe seus dois filhos adolescentes à consulta médica. L., do sexo masculino, e S., do sexo feminino. S tem 12 anos e 4 meses enquanto L. tem 15 anos. Ambos foram consultados separadamente, com a presença da mãe na coleta de informações da anamnese, antecedentes pessoais, vida escolar, histórico vacinal e desenvolvimento. Após a saída da mãe, foram abordadas queixas específicas de cada um, vida social, familiar e informações de ordem sexual. A seguir, o exame físico foi realizado, individualmente, pela médica. Posteriormente, a mãe foi chamada para o fechamento do atendimento. Ela estranhou o fato de a médica consultar os filhos separadamente, mas principalmente o fato de ter de sair da sala para que os adolescentes fizessem parte da consulta a sós com a médica. Os motivos não lhe foram explicitados, apenas solicitada a sua saída da sala após suas indagações. Dona M. está preocupada com o fato de S. não haver iniciado os ciclos menstruais até o momento. Segundo a mãe, reafirmado por S., a adolescente é muito saudável, alimenta-se muito bem porque ela e o irmão são atletas de alto rendimento em natação, com treinos quatro vezes por semana e uma jornada grande de campeonatos. L., com relação a este assunto, pergunta se não poderia fazer musculação também, porque a mãe permite apenas com autorização médica. Ao exame físico, S. está eutrófica do ponto de vista nutricional e, dentro do esperado, na sua curva de crescimento. A maturação sexual está em m3p3. L., igualmente, tem exame físico normal, está eutrófico com maturação g3p4. Quanto à atividade física na adolescência:
Atletas de alto rendimento → ↑ Gasto energético + Estresse → Menarca tardia (atraso de 2-3 anos).
O exercício físico intenso em adolescentes pode retardar a menarca devido a alterações no eixo hipotálamo-hipófise-gonadal e baixa disponibilidade energética.
A consulta do adolescente exige uma abordagem que respeite a autonomia e a privacidade, garantindo o sigilo médico. No contexto esportivo, o médico deve avaliar se o desenvolvimento puberal está condizente com a carga de treinamento. A menarca tardia em atletas é um fenômeno bem documentado, resultante da supressão do eixo hipotálamo-hipófise. Além disso, a avaliação de Tanner confirma que o adolescente está em plena puberdade, sendo a orientação sobre riscos de anabolizantes e suplementação inadequada parte essencial da puericultura nessa fase.
O treinamento intenso, especialmente em modalidades como natação ou ginástica, está associado a um baixo percentual de gordura corporal e estresse físico/psicológico. Isso altera a secreção pulsátil do GnRH, levando a um atraso na maturação do eixo reprodutivo. Em média, a menarca em atletas pode ocorrer 2 a 3 anos mais tarde do que em não atletas.
É uma síndrome que envolve três componentes inter-relacionados: baixa disponibilidade energética (com ou sem distúrbio alimentar), disfunção menstrual (como amenorreia primária ou secundária) e baixa densidade mineral óssea (risco de osteoporose precoce e fraturas de estresse). É fundamental o rastreio em adolescentes com alta carga de treino.
Os estágios de Tanner indicam a maturidade biológica, que é mais relevante que a idade cronológica para prescrever exercícios. Adolescentes em estágios iniciais têm menor massa muscular e coordenação motora fina menos desenvolvida, exigindo adaptações em treinos de força e impacto para evitar lesões epifisárias.
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