CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2013
A alteração apresentada nesta tomografia de coerência óptica é:
OCT com membrana hiperreflexiva sobre a retina + distorção foveal = Membrana Epirretiniana.
A membrana epirretiniana é uma proliferação fibrocelular na superfície interna da retina que causa tração mecânica e distorção da arquitetura macular visível ao OCT.
A membrana epirretiniana (também conhecida como maculopatia em celofane ou fibrose pré-retiniana) resulta da proliferação de células gliais, astrócitos e fibroblastos na interface vitreorretiniana. Frequentemente está associada ao descolamento do vítreo posterior (DVP), que pode causar pequenas deiscências na membrana limitante interna, permitindo a migração e proliferação celular. O OCT revolucionou o manejo desta patologia, permitindo a visualização detalhada da interface e a identificação de alterações sutis que não seriam visíveis ao exame de fundo de olho convencional. Além do diagnóstico, o OCT é fundamental no pós-operatório para avaliar a restauração da anatomia foveal e a resolução do edema tracional, embora a recuperação funcional (acuidade visual) possa levar meses para se estabilizar após a remoção da membrana.
No OCT, a membrana epirretiniana aparece como uma linha ou camada hiperreflexiva situada sobre a superfície da membrana limitante interna da retina. Dependendo da gravidade, ela pode estar aderida em toda a sua extensão ou apresentar pontos de descolamento. A MER causa tração tangencial, resultando em perda da depressão foveal, pregueamento da retina interna e, em casos avançados, aumento da espessura macular e formação de espaços císticos por tração crônica. É uma ferramenta essencial para graduar a membrana e decidir a conduta cirúrgica.
Muitas membranas epirretinianas são assintomáticas e diagnosticadas incidentalmente. No entanto, quando a tração afeta a fóvea, os pacientes queixam-se de metamorfopsia (visão distorcida), micropsia ou redução progressiva da acuidade visual central. O teste da tela de Amsler é uma ferramenta clínica útil para detectar essas distorções. A gravidade dos sintomas geralmente correlaciona-se com o grau de distorção anatômica observado no OCT, sendo a metamorfopsia uma das principais indicações para intervenção cirúrgica.
O tratamento definitivo é cirúrgico, através da vitrectomia via pars plana associada ao 'peeling' (remoção manual) da membrana epirretiniana e, frequentemente, da membrana limitante interna (MLI) para reduzir a chance de recorrência. A cirurgia é indicada quando há baixa visual significativa ou metamorfopsia que interfere nas atividades diárias do paciente. Casos leves com boa visão podem ser acompanhados periodicamente com OCT para monitorar a progressão da tração.
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