CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2008
É correto afirmar que:
Membrana de Descemet = membrana basal do endotélio; espessa-se continuamente com a idade.
A membrana de Descemet é a membrana basal do endotélio corneano, sendo uma estrutura acelular que aumenta de espessura ao longo da vida, ao contrário do endotélio, que tem baixa capacidade mitótica.
A córnea é composta por cinco camadas principais: epitélio, camada de Bowman, estroma, membrana de Descemet e endotélio. A membrana de Descemet destaca-se por ser a membrana basal do endotélio, possuindo uma porção anterior bandada (formada in utero) e uma porção posterior não bandada (secretada após o nascimento). Sua espessura aumenta com a idade, o que é um marcador histológico importante. Clinicamente, patologias que afetam a Descemet e o endotélio são causas comuns de perda de visão. A Distrofia de Fuchs, por exemplo, caracteriza-se pela formação de 'guttae' (excrecências na Descemet) e perda progressiva de células endoteliais, levando ao edema corneano. O conhecimento da anatomia cirúrgica dessas camadas é fundamental para procedimentos modernos como os transplantes lamelares posteriores (DSEK e DMEK), que substituem seletivamente o complexo Descemet-endotélio doente.
O endotélio corneano é uma camada única de células hexagonais que reveste a superfície posterior da córnea. Sua principal função é manter o estado de deturgescência (desidratação relativa) da córnea, o que é essencial para a transparência óptica. Ele atua através de uma barreira física 'leaky' e, mais importante, através de bombas metabólicas ativas (como a Na+/K+ ATPase) que transportam íons e água do estroma de volta para o humor aquoso. Diferente de outros epitélios, o endotélio humano tem uma capacidade de regeneração por mitose extremamente limitada após o nascimento. Quando há perda celular por trauma, cirurgia ou doença (como a Distrofia de Fuchs), as células remanescentes aumentam de tamanho (pleomorfismo) e se espalham para cobrir as falhas. Se a densidade celular cai abaixo de um nível crítico, a córnea edemacia, perdendo sua transparência.
A membrana de Descemet é a membrana basal modificada das células endoteliais da córnea. Ela é composta principalmente por colágeno tipo IV e laminina. Uma característica biológica marcante é que ela é secretada continuamente pelo endotélio ao longo da vida, o que faz com que sua espessura aumente progressivamente (tem cerca de 3 μm ao nascimento e pode chegar a 10-12 μm no adulto). Ela é uma camada resistente e elástica, atuando como uma barreira protetora. Em casos de úlceras de córnea profundas, a Descemet pode ser a última camada a resistir antes da perfuração ocular, formando uma protrusão conhecida como descemetocele.
A transparência da córnea é resultado de vários fatores: 1) A organização precisa das fibrilas de colágeno no estroma, que possuem diâmetro uniforme e espaçamento menor que a metade do comprimento de onda da luz visível, minimizando a dispersão luminosa. 2) O estado de desidratação relativa mantido pela bomba endotelial. 3) A ausência de vasos sanguíneos e pigmentos. 4) A superfície epitelial lisa mantida pelo filme lacrimal. A membrana de Descemet e a camada de Bowman (membrana basal do epitélio) contribuem para a integridade estrutural, mas a manutenção do equilíbrio hídrico pelo endotélio é o fator fisiológico mais crítico para evitar o edema estromal e a consequente opacificação.
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