CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2025
Qual das seguintes afirmações sobre a membrana de Descemet está correta?
Descemet = Membrana basal do endotélio; camada posterior cresce ao longo da vida.
A membrana de Descemet é a membrana basal do endotélio corneano, composta por uma zona anterior bandada (fetal) e uma posterior não bandada, que é secretada continuamente após o nascimento.
A membrana de Descemet é uma das cinco camadas clássicas da córnea (recentemente revisada para seis com a inclusão da camada de Dua). Ela atua como uma barreira biológica e suporte estrutural para o endotélio. Diferente do estroma corneano, a Descemet é resistente a enzimas proteolíticas, o que explica por que em úlceras de córnea graves pode ocorrer a formação de uma 'descemetocele' (quando apenas a Descemet permanece intacta antes da perfuração). O entendimento de sua secreção bifásica (anterior bandada e posterior não bandada) é fundamental para a histopatologia ocular e para compreender as alterações degenerativas e distróficas que afetam a transparência corneana.
A membrana de Descemet é dividida em duas camadas principais: a zona anterior bandada e a zona posterior não bandada. A zona anterior bandada tem cerca de 3 micra de espessura e é formada durante o desenvolvimento embrionário (vida fetal). A zona posterior não bandada é secretada pelas células endoteliais da córnea ao longo de toda a vida. Devido a essa secreção contínua, a espessura total da membrana de Descemet aumenta com a idade, passando de aproximadamente 3 micra ao nascimento para cerca de 10 a 12 micra na vida adulta avançada. Ela é composta principalmente por colágeno tipo IV e laminina, funcionando como a membrana basal do endotélio.
Os corpúsculos de Hassal-Henle são excrescências ou 'verrucosidades' focais da membrana de Descemet que se projetam para o endotélio. Eles são considerados uma alteração fisiológica do envelhecimento e localizam-se tipicamente na periferia da córnea. Histologicamente, são idênticos às 'guttas' observadas na Distrofia de Fuchs, porém as guttas da Fuchs ocorrem na região central da córnea e são patológicas, levando à perda de células endoteliais e edema corneano. A presença de corpúsculos de Hassal-Henle na periferia é um achado comum em exames de lâmpada de fenda em pacientes idosos e geralmente não afeta a acuidade visual.
A membrana de Descemet desempenha um papel crucial em cirurgias modernas de transplante de córnea, especificamente nas técnicas de ceratoplastia endotelial, como o DMEK (Descemet Membrane Endothelial Keratoplasty). No DMEK, apenas a membrana de Descemet e o endotélio do doador são transplantados para o receptor. A integridade desta membrana é vital para manter a desidratação e a transparência da córnea através da função de bomba do endotélio. Complicações como o descolamento da membrana de Descemet podem ocorrer durante cirurgias de catarata ou transplantes, resultando em edema corneano localizado ou difuso se não for reposicionada (geralmente com injeção de ar ou gás na câmara anterior).
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