CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2008
A membrana de Bruch:
Membrana de Bruch = Interface acelular que separa o EPR da coriocapilar.
A membrana de Bruch atua como um filtro metabólico essencial, permitindo a passagem de nutrientes da coroide para a retina e o transporte de resíduos no sentido oposto.
A membrana de Bruch é a camada mais interna da coroide, funcionando como a fundação sobre a qual repousa o epitélio pigmentar da retina (EPR). Embora seja uma estrutura acelular, sua integridade é fundamental para a saúde visual, pois compõe a parte estrutural da barreira hemato-retiniana externa. Ela regula o fluxo de fluidos e solutos, impedindo que moléculas grandes ou células inflamatórias da circulação sistêmica atinjam a retina neurossensorial. Clinicamente, a membrana de Bruch é o local de origem de diversas patologias retinianas. Além da DMRI, condições como estrias angioides resultam de rupturas ou fragilidades nesta membrana. O entendimento de sua histologia é essencial para compreender como as terapias intravítreas e os tratamentos a laser interagem com o complexo EPR-Bruch-coriocapilar.
A membrana de Bruch é uma estrutura complexa composta por cinco camadas distintas: 1) A membrana basal do epitélio pigmentar da retina (EPR); 2) Uma zona colagenosa interna; 3) Uma camada elástica central; 4) Uma zona colagenosa externa; e 5) A membrana basal do endotélio da coriocapilar. Essa organização multicamadas confere à membrana propriedades de suporte estrutural e filtragem seletiva, sendo essencial para manter a homeostase do microambiente sub-retiniano.
Sua principal função é atuar como uma barreira de permeabilidade seletiva entre a circulação coroidiana e a retina externa. Ela facilita o transporte de oxigênio, glicose e vitamina A da coriocapilar para os fotorreceptores, enquanto permite o efluxo de produtos metabólicos e água do EPR para a coroide. Com o envelhecimento, o acúmulo de lipídios e detritos (drusas) nesta membrana pode prejudicar essa troca, contribuindo para patologias como a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI).
Na DMRI, a membrana de Bruch sofre alterações estruturais significativas, incluindo espessamento e calcificação. O acúmulo de material residual não digerido (lipofuscina e drusas) entre o EPR e a membrana de Bruch cria uma barreira física que impede a nutrição dos fotorreceptores. Além disso, rupturas nesta membrana permitem o crescimento de novos vasos anormais da coroide para o espaço sub-retiniano, caracterizando a forma exsudativa (úmida) da doença.
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