CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2011
Paciente com a lesão adquirida demonstrada na foto e biópsia ao lado. É correto afirmar:
Melanose Adquirida Primária (PAM) com atipia → principal fator de risco para melanoma conjuntival.
A PAM com atipia histológica é a precursora mais comum do melanoma de conjuntiva em adultos, exigindo diagnóstico diferencial rigoroso com nevos e melanocitose.
O melanoma conjuntival é uma neoplasia maligna rara, mas potencialmente fatal, que se origina de melanócitos da conjuntiva. Cerca de 75% dos casos surgem a partir de uma Melanose Adquirida Primária (PAM) com atipia, enquanto o restante deriva de nevos pré-existentes ou surge de novo. A identificação precoce de lesões pigmentadas suspeitas na conjuntiva é crucial. Na prática clínica, qualquer lesão pigmentada adquirida que apresente crescimento, mudança de cor, vascularização aumentada ou localização em áreas não expostas (como fórnix) deve ser biopsiada. O diagnóstico histopatológico define a conduta, sendo a atipia celular o marcador de maior preocupação para a progressão oncológica.
A Melanose Adquirida Primária (PAM) é uma lesão pigmentada unilateral que surge na conjuntiva de indivíduos adultos, geralmente de pele clara. Histologicamente, pode ser classificada com ou sem atipia. A presença de atipia melanocítica é o fator determinante para o risco de transformação maligna em melanoma conjuntival. Clinicamente, manifesta-se como áreas de pigmentação acastanhada plana e difusa que podem mudar de tamanho ou cor ao longo do tempo, exigindo biópsia incisional ou excisional para avaliação histopatológica.
O Nevo de Ota, ou melanocitose oculodérmica, é uma condição congênita caracterizada por hiperpigmentação azulada ou acinzentada da esclera e da pele periocular (distribuição dos ramos do nervo trigêmeo). Diferente da PAM, a pigmentação no Nevo de Ota é profunda, localizada na episclera e úvea, e não na superfície conjuntival. Embora o Nevo de Ota aumente o risco de melanoma uveal, ele não é o precursor direto do melanoma conjuntival, papel este desempenhado pela PAM.
O manejo envolve a excisão cirúrgica da lesão com margens livres (técnica de 'no touch') associada a terapias adjuvantes como a crioterapia nas margens ou quimioterapia tópica (Mitomicina C ou Interferon alfa-2b) para tratar doença residual ou multifocal. O acompanhamento é rigoroso devido ao alto potencial de recorrência local e metástase linfonodal (pré-auricular e submandibular) ou sistêmica. O prognóstico depende da espessura da lesão e da localização (lesões em fórnix e conjuntiva palpebral têm pior prognóstico).
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