CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017
Com relação ao melanoma de coroide, assinale a alternativa correta:
Braquiterapia (Iodo-125) → Tratamento de escolha para melanomas de coroide de pequeno/médio porte (<10mm espessura).
O manejo do melanoma de coroide evoluiu para técnicas conservadoras; a braquiterapia com placas radioativas oferece controle local eficaz para tumores de até 10mm de espessura, preservando o globo ocular.
O melanoma de coroide é o tumor intraocular primário mais comum em adultos. Sua gestão mudou drasticamente após os resultados do COMS, que demonstraram que a preservação do globo com radioterapia não aumentava a mortalidade em comparação com a enucleação para tumores de tamanho médio. A escolha entre braquiterapia, termoterapia transpupilar (TTT), ressecção local ou enucleação depende da localização do tumor, tamanho, acuidade visual do olho contralateral e estado geral do paciente. A braquiterapia destaca-se pela eficácia no controle local, embora complicações como retinopatia da radiação e catarata possam ocorrer a longo prazo. O prognóstico sistêmico está fortemente ligado a características citogenéticas, como a monossomia do cromossomo 3.
O diagnóstico é predominantemente clínico e ultrassonográfico. À fundoscopia, observa-se uma lesão elevada, frequentemente pigmentada (mas pode ser amelanótica), com presença de pigmento alaranjado (lipofuscina) e fluido sub-retiniano. A ultrassonografia modo B revela uma massa com baixa a média refletividade interna, escavação de coroide e sombra acústica. O modo A mostra o clássico 'ângulo kappa', caracterizado por um decréscimo na altura dos ecos internos do tumor. A angiofluoresceinografia pode mostrar o padrão de 'circulação dupla', mas não é patognomônica.
A braquiterapia epiescleral é indicada para melanomas de coroide de tamanho pequeno a médio. Segundo os critérios do Collaborative Ocular Melanoma Study (COMS), tumores com espessura entre 2,5 mm e 10 mm e diâmetro basal de até 16 mm são candidatos ideais. O uso de sementes de Iodo-125 ou Rutênio-106 permite a entrega de doses terapêuticas de radiação diretamente ao tumor, minimizando danos aos tecidos oculares adjacentes e oferecendo taxas de sobrevida sistêmica equivalentes à enucleação.
Diferente do retinoblastoma, que frequentemente invade o nervo óptico, o melanoma de coroide raramente utiliza essa via (exceto em tumores justapapilares). A principal via de invasão extraocular é através dos canais esclerais, especificamente acompanhando as veias vorticosas e os nervos ciliares longos e curtos. Sistemicamente, a disseminação é hematogênica, com uma predileção marcante pelo fígado (mais de 90% das metástases iniciais), o que exige monitoramento hepático rigoroso pós-tratamento.
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