MedEvo Simulado — Prova 2026
Um paciente do sexo masculino, 54 anos, professor de educação física com histórico de exposição solar recreativa e profissional frequente, comparece à consulta queixando-se de uma lesão cutânea no dorso superior que surgiu há cerca de oito meses. Relata que a mancha era pequena e clara, mas recentemente apresentou crescimento progressivo e mudança na tonalidade. Ao exame físico, observa-se uma lesão melanocítica de 9 mm de maior diâmetro, com assimetria evidente em dois eixos, bordas irregulares e mal delimitadas, exibindo policromia com tons de castanho-escuro, preto e áreas de regressão acinzentadas. Não há linfonodomegalias palpáveis em cadeias axilares ou cervicais. Diante da principal suspeita clínica, assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica e a conduta inicial mais adequada:
Suspeita de Melanoma → Biópsia EXCISIONAL com margens estreitas (1-3 mm).
O melanoma extensivo superficial é o subtipo mais comum; a conduta inicial padrão é a exérese completa da lesão para diagnóstico histopatológico e medida do Breslow.
O melanoma cutâneo é uma neoplasia maligna originada nos melanócitos, com alto potencial metastático se não diagnosticado precocemente. O subtipo extensivo superficial representa cerca de 70% dos casos e caracteriza-se por uma fase de crescimento radial prolongada, o que favorece a detecção precoce através do exame físico e dermatoscopia. A exposição solar intermitente e intensa, resultando em queimaduras solares, é o principal fator de risco ambiental. O manejo correto começa com a suspeição clínica baseada nos critérios ABCDE, seguida obrigatoriamente por biópsia excisional. O tratamento definitivo é cirúrgico e estadiado: primeiro a biópsia para diagnóstico e medida do Breslow, e depois a ampliação de margens com ou sem pesquisa de linfonodo sentinela. Em casos avançados, o tratamento evoluiu significativamente com o uso de imunoterapia e terapia alvo, mas o prognóstico ainda depende fortemente do diagnóstico precoce.
Os critérios ABCDE são uma ferramenta clínica para triagem de lesões melanocíticas suspeitas: A de Assimetria (metades da lesão não coincidem); B de Bordas irregulares ou mal delimitadas; C de Cores variadas (policromia com tons de castanho, preto, azul ou branco); D de Diâmetro maior que 6 mm; e E de Evolução (mudanças recentes de cor, tamanho ou forma). A presença de qualquer um desses critérios, especialmente em uma lesão que se destaca das demais ('patinho feio'), aumenta a suspeição para melanoma e justifica uma avaliação dermatoscópica detalhada ou biópsia.
A biópsia excisional (retirada de toda a lesão) é preferencial porque permite ao patologista avaliar a arquitetura completa da lesão e, crucialmente, medir a espessura tumoral máxima (Índice de Breslow). Margens estreitas (1 a 3 mm) são recomendadas inicialmente para não comprometer a drenagem linfática local, o que é vital caso o paciente precise de uma biópsia de linfonodo sentinela posteriormente. Biópsias incisionais podem levar a erros de amostragem e subestimação da gravidade da doença, devendo ser reservadas para lesões muito extensas ou em áreas nobres.
O Índice de Breslow é a medida histopatológica da espessura do melanoma, medida em milímetros desde a camada granulosa da epiderme até a célula neoplásica mais profunda. É o fator prognóstico isolado mais importante no melanoma cutâneo localizado. Ele determina a margem da ampliação cirúrgica definitiva (que varia de 0,5 cm para melanoma in situ até 2 cm para lesões > 2 mm) e indica a necessidade de pesquisa de linfonodo sentinela (geralmente indicada para Breslow ≥ 0,8 mm ou lesões mais finas com ulceração).
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