Melanoma Estágio IA: Manejo e Acompanhamento Pós-Excisão

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 54 anos, assintomática, recentemente foi submetida à ressecção de um nevo em face anterior da coxa direita. O anatomopatológico demonstrou melanoma de 0,44 milímetros de espessura, Clark nível III, ausência de ulceração e contagem mitótica de zero. No exame físico, não havia linfoadenopatias palpáveis, nódulos satélites ou metástases em trânsito. Hemograma, plaquetas, desidrogenase láctica, transaminases, fosfatase alcalina, gama-glutamil transferase e bilirrubinas estavam dentro dos limites de normalidade. Em relação ao caso, qual é a conduta mais adequada neste momento?

Alternativas

  1. A) Solicitar PET-CT e ressonância magnética de crânio.
  2. B) Solicitar radiografia de tórax e ultrassonografia de abdome.
  3. C) Adotar conduta expectante, sem necessidade de realizar exames de imagem.
  4. D) Solicitar tomografia computadorizada de tórax, abdome total e ressonância magnética de crânio.

Pérola Clínica

Melanoma fino (<0,8 mm), sem ulceração, sem mitoses, sem linfonodos/metástases → estágio IA, conduta expectante após excisão.

Resumo-Chave

O melanoma da paciente é classificado como estágio IA (espessura de Breslow < 0,8 mm, sem ulceração, sem mitoses, sem evidência de metástases). Para este estágio de baixo risco, a excisão local ampla com margens adequadas é o tratamento definitivo, e não há indicação de exames de imagem de rotina para estadiamento adicional, apenas acompanhamento clínico.

Contexto Educacional

O melanoma cutâneo é o tipo mais agressivo de câncer de pele, mas seu prognóstico está diretamente relacionado ao estágio no momento do diagnóstico. O estadiamento é crucial e baseia-se principalmente na espessura de Breslow, presença de ulceração, contagem mitótica, e envolvimento de linfonodos e metástases à distância. A fisiopatologia do melanoma envolve a transformação maligna de melanócitos, células produtoras de pigmento. Os fatores de risco incluem exposição solar excessiva, histórico familiar e múltiplos nevos atípicos. O diagnóstico precoce é vital, e a regra do ABCDE (Assimetria, Bordas irregulares, Cores variadas, Diâmetro > 6mm, Evolução) auxilia na identificação de lesões suspeitas. No caso apresentado, a paciente tem um melanoma de baixo risco (estágio IA), caracterizado por espessura de Breslow < 0,8 mm, ausência de ulceração e contagem mitótica zero. Para esses casos, a excisão local ampla com margens cirúrgicas adequadas é curativa. Exames de imagem de rotina para estadiamento adicional não são recomendados devido ao baixo risco de metástases e ao alto potencial de falsos positivos, que geram ansiedade e procedimentos desnecessários. O acompanhamento clínico regular é suficiente.

Perguntas Frequentes

O que significa a espessura de Breslow e o nível de Clark no melanoma?

A espessura de Breslow é a medida vertical do tumor em milímetros, sendo o fator prognóstico mais importante. O nível de Clark descreve a profundidade de invasão em relação às camadas da pele (I a V), sendo menos relevante que Breslow, mas ainda usado.

Quais são os critérios para classificar um melanoma como estágio IA?

Um melanoma é classificado como estágio IA se a espessura de Breslow for menor que 0,8 mm, sem ulceração, e não houver evidência de metástases em linfonodos ou à distância. A contagem mitótica também é um fator prognóstico importante.

Quando são indicados exames de imagem (TC, PET-CT, RM) no estadiamento do melanoma?

Exames de imagem extensos são geralmente reservados para melanomas de alto risco (Breslow > 0,8 mm com ulceração, > 1,0 mm sem ulceração, ou com linfonodos positivos), ou para pacientes com sintomas sugestivos de metástases, para avaliar a extensão da doença.

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