Conduta Médica em Lesões Suspeitas de Melanoma

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016

Enunciado

Uma mulher com 29 anos de idade procura a Unidade Básica de Saúde (UBS), referindo que há 2 meses tem percebido mudança no padrão de uma mancha em sua pele, localizada na região dorsal. Relata ainda que a mancha vem apresentando prurido e sangramento eventual. A paciente mostra-se preocupada devido ao fato de sua mãe ter apresentado melanoma aos 45 anos de idade na região dorsal, tendo sido submetida à resseção desse melanoma com ampla margem de segurança e esvaziamento axilar. Ao exame físico, observa-se na paciente a lesão mostrada na imagem a seguir: Considerando o quadro clínico apresentado, o médico da UBS deverá:

Alternativas

  1. A) Realizar a excisão da lesão sob anestesia local em regime ambulatorial, na UBS, e encaminhar o tecido para exame histopatológico.
  2. B) Tranquilizar a paciente, explicando que a lesão apresenta evidências de benignidade e que não existe maior risco para melanoma, apesar do fator familiar.
  3. C) Encaminhar a paciente a centro especializado, para biópsia excisional e posterior complementação cirúrgica de acordo com resultado do exame histopatológico.
  4. D) Reavaliar a paciente em 6 meses, para observar a evolução da lesão pigmentada sob dermatoscopia e, caso não apresente alterações, acompanhar a paciente anualmente.

Pérola Clínica

Lesão pigmentada suspeita (ABCDE) + mudança de padrão + história familiar → Biópsia excisional.

Resumo-Chave

Diante de uma lesão cutânea com sinais de alerta (mudança de padrão, sangramento, prurido) e forte histórico familiar, a conduta padrão é a biópsia excisional em centro especializado.

Contexto Educacional

O melanoma é o câncer de pele mais agressivo devido ao seu alto potencial de metástase. A detecção precoce é o único fator que reduz drasticamente a mortalidade. Na atenção primária, o médico deve estar apto a identificar lesões suspeitas e realizar o encaminhamento imediato para centros de referência. A conduta de encaminhar para biópsia excisional em centro especializado visa garantir que o procedimento seja feito com técnica adequada, preservando a drenagem linfática para eventual pesquisa de linfonodo sentinela e garantindo o processamento histopatológico correto. O tratamento definitivo do melanoma é cirúrgico, baseado na profundidade da invasão (Breslow), podendo incluir ampliação de margens e terapias sistêmicas em casos avançados.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para melanoma (ABCDE)?

O mnemônico ABCDE ajuda na identificação de lesões suspeitas: A de Assimetria (metades diferentes); B de Bordas irregulares ou mal delimitadas; C de Cores variadas (tons de marrom, preto, azul ou vermelho); D de Diâmetro maior que 6mm; e E de Evolução (mudança de tamanho, forma, cor ou sintomas como prurido e sangramento). No caso clínico, a paciente apresentava mudança de padrão, prurido e sangramento, o que eleva significativamente a suspeita clínica de malignidade.

Por que a biópsia deve ser excisional no melanoma?

A biópsia excisional (remoção completa da lesão com margens mínimas de 1-3 mm) é o padrão-ouro porque permite ao patologista avaliar a arquitetura completa da lesão e, crucialmente, medir a espessura vertical do tumor (Índice de Breslow). O Índice de Breslow é o principal fator prognóstico e determina a margem da ampliação cirúrgica definitiva e a necessidade de pesquisa de linfonodo sentinela. Biópsias parciais (incisionais) podem subestimar a espessura real da lesão.

Qual a importância do histórico familiar no melanoma?

O histórico familiar de primeiro grau (como a mãe da paciente) aumenta consideravelmente o risco relativo de desenvolvimento de melanoma. Cerca de 10% dos pacientes com melanoma possuem história familiar positiva. Isso exige uma vigilância dermatológica muito mais rigorosa, frequentemente com mapeamento corporal total e dermatoscopia digital, além de uma conduta mais agressiva (biópsia precoce) diante de qualquer alteração estrutural em nevos pré-existentes.

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