UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024
Homem, 55 anos de idade, previamente hígido, comparece para exame oftalmológico de rotina. Fundo de olho: lesão circunscrita, pigmentada e subrretiniana no olho esquerdo. Com este achado foi solicitado ultrassonografia ocular que evidenciou lesão com espessura de 5,5 mm e baixa refletividade interna. Baseado na principal hipótese diagnóstica, a investigação para estadiamento sistêmico deve ser iniciada por qual órgão?
Melanoma de coroide → metástase primária para o fígado. Investigar fígado primeiro no estadiamento sistêmico.
O melanoma de coroide é o tumor intraocular primário mais comum em adultos. Sua principal via de disseminação metastática é hematogênica, e o fígado é o local mais frequente de metástases à distância, sendo o primeiro órgão a ser investigado no estadiamento sistêmico.
O melanoma de coroide é a neoplasia intraocular primária mais comum em adultos, com uma incidência que aumenta com a idade. Sua importância reside na alta taxa de metástases à distância, que são a principal causa de mortalidade. O diagnóstico precoce e o estadiamento adequado são cruciais para o manejo e prognóstico do paciente. A fisiopatologia envolve a transformação maligna de melanócitos na coroide. O diagnóstico é feito por exame de fundo de olho, angiografia com fluoresceína e, principalmente, ultrassonografia ocular, que permite avaliar a espessura e as características internas da lesão. A suspeita deve surgir diante de lesões pigmentadas subrretinianas, especialmente se apresentarem crescimento ou características atípicas. O tratamento do tumor primário pode incluir radioterapia (braquiterapia, radiocirurgia), termoterapia transpupilar ou enucleação, dependendo do tamanho e localização. No entanto, o manejo das metástases é o maior desafio. O fígado é o sítio mais comum de metástases, e a investigação sistêmica deve começar por este órgão. O prognóstico é reservado uma vez que as metástases hepáticas são detectadas, com opções terapêuticas limitadas e taxas de sobrevida baixas.
Clinicamente, o melanoma de coroide pode ser assintomático ou causar baixa de visão, metamorfopsia ou escotomas. Na ultrassonografia ocular, tipicamente apresenta-se como uma lesão sólida, com baixa refletividade interna, escavação coroidal e, por vezes, sombra acústica posterior.
O fígado é o principal órgão de metástase do melanoma de coroide devido à sua rica vascularização e à drenagem venosa da coroide, que se dá para a circulação sistêmica e, subsequentemente, para o sistema porta e hepático, facilitando a deposição de células tumorais.
Para o estadiamento sistêmico, recomenda-se inicialmente exames de imagem do fígado, como ultrassonografia abdominal, tomografia computadorizada ou ressonância magnética. Outros exames podem incluir PET-CT e marcadores tumorais, dependendo do risco e achados iniciais.
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