CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
Paciente com diagnóstico de melanoma de coroide. Qual das alternativas abaixo melhor descreve exames necessários para investigação sistêmica?
Melanoma de coroide → disseminação hematogênica com tropismo primário pelo fígado.
O melanoma de coroide é o tumor intraocular primário mais comum em adultos; sua investigação sistêmica foca na detecção de metástases hepáticas e pulmonares via exames de imagem.
O melanoma de coroide exige uma abordagem multidisciplinar. O diagnóstico ocular é estabelecido através do exame de mapeamento de retina (lesão pigmentada ou amelanótica, cupuliforme ou em cogumelo) e confirmado pela ultrassonografia ocular (baixa refletividade interna e escavação de coroide). Uma vez diagnosticado o tumor ocular, o foco imediato é o estadiamento sistêmico. O protocolo padrão envolve a avaliação abdominal (preferencialmente ultrassonografia ou ressonância magnética para avaliar o parênquima hepático) e a avaliação torácica (tomografia). A detecção de metástases altera radicalmente o prognóstico, pois a doença metastática no melanoma uveal ainda apresenta opções terapêuticas limitadas e alta mortalidade. O seguimento sistêmico deve ser vitalício, mesmo após o tratamento bem-sucedido do tumor ocular primário.
O melanoma uveal (incluindo o de coroide) não possui drenagem linfática. A disseminação das células tumorais ocorre exclusivamente por via hematogênica. O fígado é o primeiro grande leito capilar encontrado após a circulação sistêmica e apresenta um microambiente favorável ao crescimento dessas células, sendo o sítio de metástase em mais de 80-90% dos casos metastáticos.
Os exames de função hepática, especialmente a Desidrogenase Láctica (LDH) e as transaminases (TGO/TGP), são marcadores importantes. Níveis elevados de LDH estão frequentemente associados a uma maior carga tumoral metastática no fígado e a um pior prognóstico, embora os exames de imagem (US e TC) sejam mais sensíveis para detecção precoce de lesões nodulares.
Após o fígado, os pulmões são o segundo sítio mais comum de metástase hematogênica do melanoma uveal. A tomografia de tórax é superior à radiografia simples para detectar micrometástases pulmonares, sendo parte integrante do protocolo de estadiamento inicial para definir a conduta terapêutica e o prognóstico de sobrevida do paciente.
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