Melanoma de Coroide: Rastreio de Metástases Hepáticas

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2024

Enunciado

Paciente é diagnosticado com melanoma de coroide. Qual o exame mais apropriado para avaliar metástase?

Alternativas

  1. A) Colonoscopia.
  2. B) Imagem por ressonância magnética de crânio. 
  3. C) Punção lombar. 
  4. D) Ultrassonografia abdominal.

Pérola Clínica

Melanoma de coroide → Fígado é o sítio principal de metástase; USG abdominal é o rastreio inicial.

Resumo-Chave

O melanoma uveal tem disseminação exclusivamente hematogênica, com predileção marcante pelo fígado (80-90% das metástases iniciais), exigindo vigilância abdominal rigorosa.

Contexto Educacional

O melanoma de coroide é o tumor intraocular primário mais comum em adultos. Apesar do excelente controle local com braquiterapia ou enucleação, o risco de metástase sistêmica permanece significativo. O estadiamento sistêmico é vital no momento do diagnóstico e durante o seguimento. A escolha da ultrassonografia abdominal na questão reflete a prática de rastrear o órgão com maior probabilidade de acometimento. Além do fígado, pulmões e ossos são sítios secundários, mas a avaliação hepática domina o protocolo. O prognóstico da doença metastática ainda é reservado, o que reforça a importância de um acompanhamento rigoroso para intervenções precoces.

Perguntas Frequentes

Por que o fígado é o principal sítio de metástase do melanoma de coroide?

Diferente do melanoma cutâneo, que se dissemina frequentemente por via linfática, o melanoma de coroide (uveal) não possui acesso a canais linfáticos na úvea. Portanto, sua disseminação é puramente hematogênica. Por razões ainda não totalmente esclarecidas (tropismo celular), as células neoplásicas do melanoma uveal têm uma afinidade extrema pelo parênquima hepático. Em cerca de 90% dos pacientes que desenvolvem doença metastática, o fígado é o primeiro e, às vezes, o único órgão acometido inicialmente.

Qual a frequência recomendada para o rastreio sistêmico?

O protocolo de rastreio varia conforme o risco prognóstico do tumor (tamanho, citogenética como monossomia do 3, e perfil de expressão gênica). Geralmente, recomenda-se a realização de exames de imagem abdominal (Ultrassonografia, Tomografia ou Ressonância) e provas de função hepática a cada 6 a 12 meses. Em pacientes de alto risco (Classe 2 no perfil de expressão gênica), o intervalo pode ser reduzido para cada 3 a 6 meses, visando a detecção precoce de lesões ressecáveis ou passíveis de terapias locorregionais.

A ultrassonografia é superior à ressonância magnética no rastreio?

A Ressonância Magnética (RM) de abdome superior com contraste é considerada o exame mais sensível para detectar pequenas metástases hepáticas. No entanto, a Ultrassonografia (USG) abdominal é amplamente utilizada como exame de triagem inicial devido ao seu baixo custo, ausência de radiação e facilidade de acesso. Em muitos protocolos de residência e serviços de oncologia ocular, a USG é o primeiro passo, reservando-se a RM ou a TC para confirmação de achados suspeitos ou para pacientes de altíssimo risco.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo