CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2010
Qual o diagnóstico mais provável da lesão conjuntival, considerando-se seu aspecto clínico e o estudo histopatológico?
Lesão pigmentada conjuntival + vasos nutridores + crescimento = Suspeita de Melanoma.
O melanoma de conjuntiva é uma neoplasia maligna rara, mas potencialmente fatal, que pode surgir de melanose adquirida primária (PAM), nevos pré-existentes ou de novo.
O melanoma de conjuntiva é um tumor derivado dos melanócitos da camada basal do epitélio conjuntival. Embora menos comum que o melanoma de coroide, possui um prognóstico sistêmico que exige vigilância rigorosa, com taxas de mortalidade em 10 anos variando de 13% a 30%. A histopatologia é definitiva, mostrando melanócitos atípicos invadindo o estroma conjuntival. O diagnóstico diferencial inclui o nevo conjuntival (geralmente apresenta cistos epiteliais à lâmpada de fenda), a melanose racial (bilateral e estática) e o carcinoma espinocelular pigmentado. A detecção precoce e a excisão completa são os fatores prognósticos mais importantes para a sobrevida do paciente.
Os sinais clínicos sugestivos de melanoma incluem: pigmentação assimétrica ou heterogênea, bordas irregulares, presença de vasos nutridores (feeder vessels), aumento de tamanho ou espessura da lesão, e localização em áreas não expostas (como conjuntiva palpebral ou fórnice). A fixação da lesão à esclera subjacente também é um sinal preocupante.
A Melanose Adquirida Primária (PAM) com atipia citológica é considerada uma lesão pré-cancerosa. Cerca de 50% a 75% dos melanomas de conjuntiva em pacientes brancos originam-se de uma área de PAM com atipia. Por isso, áreas de pigmentação adquirida na idade adulta devem ser monitoradas de perto e biopsiadas se houver mudança clínica.
O tratamento padrão envolve a exérese cirúrgica ampla com a técnica de 'no touch' (margens de 2-3 mm) associada à crioterapia nas margens cirúrgicas. Em casos de envolvimento extenso ou recorrência, pode ser necessária a braquiterapia ou, em casos extremos, a exenteração da órbita. O acompanhamento sistêmico é obrigatório devido ao risco de metástases linfonodais e hematogênicas.
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