UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2024
O diagnóstico definitivo de um paciente com quadro de disfagia progressiva há cerca de 2 anos e emagrecimento com suspeita de megaesôfago é feito por meio do exame
Disfagia progressiva + suspeita megaesôfago → Manometria esofágica = diagnóstico definitivo.
Em casos de disfagia progressiva e suspeita de megaesôfago (acalasia), o exame definitivo para avaliar a motilidade esofágica e a função do esfíncter esofágico inferior é a manometria esofágica, que pode identificar a aperistalse e o relaxamento incompleto do esfíncter.
O megaesôfago, frequentemente associado à acalasia, é um distúrbio motor primário do esôfago caracterizado pela ausência de peristalse no corpo esofágico e relaxamento incompleto do esfíncter esofágico inferior (EEI) durante a deglutição. No Brasil, a doença de Chagas é uma causa importante de megaesôfago secundário. A apresentação clínica típica inclui disfagia progressiva para sólidos e líquidos, regurgitação, dor torácica e perda de peso. A fisiopatologia envolve a degeneração dos neurônios do plexo mioentérico de Auerbach, resultando na perda da inervação inibitória do EEI e na ausência de peristalse. O diagnóstico é um processo sequencial. Inicialmente, a endoscopia digestiva alta é realizada para excluir causas mecânicas de obstrução e avaliar a mucosa. O esofagograma baritado pode mostrar dilatação esofágica, estase de contraste e o clássico "sinal do bico de pássaro" no EEI. No entanto, o diagnóstico definitivo é estabelecido pela manometria esofágica. A manometria esofágica de alta resolução é o padrão-ouro, pois quantifica as pressões e a motilidade esofágica, confirmando a aperistalse e o relaxamento incompleto do EEI. O tratamento visa aliviar a disfagia e prevenir complicações, incluindo dilatação pneumática, miotomia de Heller (cirúrgica) ou miotomia endoscópica peroral (POEM). Para o residente, é crucial entender a sequência diagnóstica e a importância da manometria para a confirmação e classificação do tipo de acalasia, orientando a melhor abordagem terapêutica.
O esofagograma (radiografia contrastada do esôfago) é útil para visualizar a dilatação esofágica, afilamento distal ("bico de pássaro") e estase de contraste, sugerindo o diagnóstico, mas não é definitivo para a função motora.
A manometria avalia a pressão e a coordenação das contrações esofágicas e o relaxamento do esfíncter esofágico inferior, identificando a aperistalse e o relaxamento incompleto, característicos da acalasia.
A endoscopia é essencial para excluir causas obstrutivas mecânicas de disfagia, como estenoses, tumores ou esofagite, e para avaliar a mucosa esofágica, embora não seja diagnóstica para distúrbios motores primários.
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