FESF-SUS - Fundação Estatal Saúde da Família (BA) — Prova 2020
Mulher, 58 anos, oriunda de zona rural do estado da Bahia, apresenta disfagia há 15 anos, que teve início com alimentos líquidos, evoluindo há um ano para sólidos, associada à perda de 8kg, além de regurgitação de alimento para cavidade oral após alimentação. Considerando esse caso clínico, a principal suspeita diagnóstica é _______________, e os exames mais adequados para investigação são ______________________________. A alternativa que preenche, correta e sequencialmente, as lacunas do trecho acima é
Disfagia progressiva (líquidos → sólidos) + regurgitação + perda peso em área endêmica → Megaesôfago Chagásico.
A disfagia progressiva, inicialmente para líquidos e depois para sólidos, associada à regurgitação e perda de peso em paciente de área endêmica para Doença de Chagas, é altamente sugestiva de megaesôfago chagásico. A investigação inclui endoscopia (para excluir neoplasia), esofagograma (para avaliar dilatação e motilidade) e manometria (para confirmar acalasia).
O megaesôfago chagásico é uma das manifestações crônicas da Doença de Chagas, causada pelo parasita Trypanosoma cruzi, endêmica em algumas regiões da América Latina, incluindo o Brasil. A doença afeta o sistema nervoso entérico do esôfago, levando à destruição dos neurônios do plexo mioentérico e, consequentemente, à perda da peristalse esofágica e falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI), resultando em dilatação progressiva do esôfago. O quadro clínico é caracterizado por disfagia progressiva, que classicamente se inicia para líquidos e evolui para sólidos, regurgitação de alimentos não digeridos, dor torácica e perda de peso. A história epidemiológica de residência em área endêmica é um dado crucial. A investigação diagnóstica começa com a suspeita clínica, seguida por exames complementares. A endoscopia digestiva alta é importante para excluir outras causas de disfagia, como neoplasias. O esofagograma baritado revela a dilatação esofágica e o "sinal do bico de pássaro" na transição esofagogástrica. A manometria esofágica é o exame padrão-ouro para confirmar a acalasia, demonstrando a ausência de peristalse no corpo esofágico e o relaxamento incompleto ou ausente do EEI. O tratamento pode ser clínico (dilatação endoscópica, toxina botulínica) ou cirúrgico (cardiomiotomia de Heller).
Os sintomas incluem disfagia progressiva (inicialmente para líquidos, depois para sólidos), regurgitação de alimentos não digeridos, dor torácica, sialorreia e perda de peso. A evolução é crônica e insidiosa.
O esofagograma baritado é fundamental para avaliar a dilatação esofágica, a presença de resíduos alimentares, o afilamento da transição esofagogástrica ("bico de pássaro") e a ausência de peristalse primária, classificando o grau do megaesôfago.
A manometria esofágica é o padrão-ouro para confirmar a acalasia, caracterizada pela ausência de relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) e aperistalse do corpo esofágico, que são achados típicos do megaesôfago chagásico.
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