Megaesôfago Chagásico: Diagnóstico e Estadiamento

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2020

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 70 anos, queixa-se de disfagia baixa lentamente progressiva, necessitando de coluna líquida para alívio sintomático. Refere diagnóstico prévio de doença de Chagas. Diante de um possível quadro de megaesôfago chagásico, qual seria a melhor opção para definir o grau da doença esofágica?

Alternativas

  1. A) Manometria esofágica.
  2. B) Exame contrastado do esôfago (esôfago técnica padrão).
  3. C) Endoscopia digestiva alta.
  4. D) Tomografia computadorizada do tórax.

Pérola Clínica

Megaesôfago chagásico: esofagograma contrastado = melhor para estadiamento e grau da doença.

Resumo-Chave

O exame contrastado do esôfago (esofagograma) é o método de escolha para avaliar o grau de dilatação esofágica e a presença de alterações morfológicas no megaesôfago chagásico, sendo crucial para o estadiamento da doença. A manometria avalia a função, mas não o grau morfológico.

Contexto Educacional

O megaesôfago chagásico é uma das manifestações crônicas da doença de Chagas, causada pelo parasita Trypanosoma cruzi. A infecção leva à destruição dos neurônios do plexo mioentérico de Auerbach no esôfago, resultando em aperistalse e falha no relaxamento do esfíncter inferior do esôfago (SIE), condição funcionalmente semelhante à acalasia idiopática. A doença é endêmica em várias regiões da América Latina, incluindo o Brasil, e representa um desafio diagnóstico e terapêutico. O diagnóstico do megaesôfago chagásico é baseado na história clínica de disfagia progressiva, regurgitação e, frequentemente, um histórico de exposição à doença de Chagas. Para definir o grau da doença e guiar a conduta, o exame contrastado do esôfago (esofagograma ou seriografia esofágica) é o método mais eficaz. Ele permite visualizar a dilatação esofágica, a presença de resíduos alimentares e o afilamento da transição esofagogástrica ("bico de pássaro"), além de classificar o megaesôfago em diferentes graus de dilatação. A manometria esofágica é complementar, confirmando a disfunção motora. O tratamento varia conforme o grau da doença, podendo incluir medidas dietéticas, farmacológicas (nitratos, bloqueadores de canal de cálcio), dilatação endoscópica, injeção de toxina botulínica, miotomia de Heller (cirúrgica ou endoscópica) e, em casos avançados, esofagectomia. O acompanhamento regular é essencial para monitorar a progressão da doença e prevenir complicações como desnutrição e carcinoma esofágico.

Perguntas Frequentes

Qual o papel do exame contrastado do esôfago no megaesôfago chagásico?

O exame contrastado do esôfago (esofagograma) é fundamental para o diagnóstico e estadiamento do megaesôfago chagásico, permitindo avaliar o grau de dilatação, a presença de retenção de contraste e o aspecto do esfíncter inferior do esôfago.

Como a manometria esofágica se diferencia do esofagograma no megaesôfago?

A manometria esofágica avalia a função motora do esôfago, detectando a ausência de peristalse e o relaxamento incompleto do esfíncter inferior, característicos da acalasia. O esofagograma, por sua vez, foca na morfologia e dilatação.

Quais são os sintomas clássicos do megaesôfago chagásico?

Os sintomas clássicos incluem disfagia (dificuldade para engolir), que é lentamente progressiva e pode ser aliviada pela ingestão de líquidos (coluna líquida), regurgitação, dor torácica e perda de peso.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo