USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Mulher, 55 anos, procedente do Vale do Jequitinhonha, refere disfagia baixa há 2 anos, ora para alimentos sólidos, ora para líquidos, associada a emagrecimento de 6 kg no período. Informa morte súbita em dois irmãos e pai. Endoscopia digestiva alta sem alterações. Qual alteração manométrica é mais provável?
Disfagia para sólidos e líquidos + emagrecimento + área endêmica Chagas → suspeitar megaesôfago.
A disfagia para sólidos e líquidos é um sintoma clássico de distúrbios motores esofágicos, como a acalasia ou o megaesôfago chagásico. A procedência do Vale do Jequitinhonha e o histórico familiar de morte súbita (sugestivo de cardiomiopatia chagásica) reforçam a hipótese de Doença de Chagas, que causa destruição do plexo mioentérico e aperistalse.
O megaesôfago chagásico é uma complicação crônica da Doença de Chagas, causada pela destruição dos neurônios do plexo mioentérico esofágico pelo Trypanosoma cruzi. É uma condição prevalente em regiões endêmicas do Brasil, como o Vale do Jequitinhonha, e é crucial para o residente reconhecer seu perfil epidemiológico e clínico. Clinicamente, manifesta-se por disfagia progressiva para sólidos e líquidos, regurgitação, dor torácica e perda de peso. A endoscopia digestiva alta pode ser normal em fases iniciais, mas a manometria esofágica é o exame padrão-ouro para o diagnóstico, revelando aperistalse do corpo esofágico e alteração no relaxamento do esfíncter esofágico inferior, similar à acalasia primária. O tratamento visa aliviar os sintomas e prevenir complicações, podendo incluir dilatação endoscópica, miotomia de Heller ou, em casos avançados, esofagectomia. O reconhecimento precoce é fundamental para um manejo adequado e para melhorar a qualidade de vida do paciente, sendo um tema recorrente em provas de residência.
Os sintomas incluem disfagia progressiva para sólidos e líquidos, regurgitação, dor torácica e perda de peso. A disfagia para ambos os tipos de alimentos é um forte indicativo de distúrbio motor.
A alteração mais provável é a aperistalse do corpo do esôfago, com falha no relaxamento ou relaxamento incompleto do esfíncter esofágico inferior, caracterizando um padrão de acalasia secundária.
A procedência de áreas endêmicas para Doença de Chagas (como o Vale do Jequitinhonha) e o histórico familiar de morte súbita (sugestivo de cardiomiopatia chagásica) aumentam a suspeita de megaesôfago de etiologia chagásica.
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