Megaesôfago: Diagnóstico, Sintomas e Classificação

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem, 38 anos, natural de Goiás, comparece ao consultório de gastroenterologia com queixa de disfagia progressiva nos últimos seis meses, inicialmente para sólidos e atualmente para alimentos pastosos com emagrecimento de 9 kg no período, e relato de despertar noturno por regurgitação de alimentos macerados no travesseiro. Foram solicitados: esofagograma (A)/ endoscopia digestiva alta (B). Retorna após 21 dias, com os exames e com quadro clínico inalterado, apesar de suas orientações dietéticas e de medidas comportamentais.(Arquivo pessoal; imagem utilizada com autorização)Diante do exposto, considerando os dados clínicos e os resultados dos exames, o diagnóstico do paciente é:

Alternativas

  1. A) Megaesôfago grau II.
  2. B) Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS).
  3. C) Esôfago de Barret.
  4. D) Carcinoma epidermoide.
  5. E) Adenocarcinoma.

Pérola Clínica

Disfagia progressiva + regurgitação noturna + esofagograma alterado = Megaesôfago.

Resumo-Chave

O quadro clínico de disfagia progressiva para sólidos e líquidos, emagrecimento e regurgitação noturna de alimentos macerados, associado a um esofagograma alterado, é altamente sugestivo de megaesôfago, uma condição caracterizada pela dilatação do esôfago e alteração da motilidade.

Contexto Educacional

O megaesôfago, também conhecido como acalasia, é um distúrbio motor primário do esôfago caracterizado pela perda da peristalse esofágica e falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI). No Brasil, a etiologia mais comum é a doença de Chagas, causada pelo Trypanosoma cruzi, que destrói os neurônios do plexo mioentérico. A condição leva à dilatação progressiva do esôfago e acúmulo de alimentos, impactando significativamente a qualidade de vida do paciente. Clinicamente, os pacientes apresentam disfagia progressiva, inicialmente para sólidos e posteriormente para líquidos, regurgitação de alimentos não digeridos (especialmente noturna, podendo causar aspiração), dor torácica e emagrecimento. O diagnóstico é estabelecido pela combinação de história clínica, esofagograma baritado (que mostra dilatação esofágica, afilamento distal em 'bico de pássaro' e ausência de peristalse) e manometria esofágica (padrão ouro para avaliar a motilidade e o relaxamento do EEI). A endoscopia digestiva alta é importante para excluir outras causas de disfagia e avaliar complicações. O tratamento do megaesôfago visa aliviar os sintomas e prevenir complicações, uma vez que não há cura para a disfunção motora. As opções incluem dilatação endoscópica com balão, miotomia de Heller (cirúrgica) ou miotomia endoscópica peroral (POEM), e uso de toxina botulínica. A classificação do megaesôfago em graus (I a IV) pelo esofagograma auxilia na escolha terapêutica. Para residentes, é crucial correlacionar a clínica com os achados radiológicos e manométricos, e considerar a etiologia chagásica em áreas endêmicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos do megaesôfago?

Os sintomas incluem disfagia progressiva (inicialmente para sólidos, depois para líquidos), regurgitação de alimentos não digeridos, dor torácica, emagrecimento e, em casos avançados, aspiração pulmonar.

Qual o papel do esofagograma no diagnóstico do megaesôfago?

O esofagograma baritado é fundamental para o diagnóstico, revelando dilatação esofágica, afilamento distal (sinal do bico de pássaro) e ausência de peristalse, além de permitir a classificação do grau de megaesôfago.

Qual a principal causa de megaesôfago no Brasil?

No Brasil, a principal causa de megaesôfago é a doença de Chagas, causada pelo Trypanosoma cruzi, que leva à destruição dos neurônios do plexo mioentérico esofágico.

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