Megaesôfago: Diagnóstico e Tratamento da Acalasia

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente masculino, 32 anos, com história de disfagia progressiva há 2 anos, inicialmente para sólidos, que evoluiu para pastosos e líquidos, submetido ao exame contrastado do esôfago que evidencia dilatação do órgão para 4cm, retardo do esvaziamento e afilamento distal. Quais são o diagnóstico e tratamento mais prováveis?

Alternativas

  1. A) Doença do refluxo gastresofágico e hernioplastia hiatal com fundoplicatura.
  2. B) Megaesôfago e cardiomiotomia.
  3. C) Megaesôfago e hernioplastia hiatal com fundoplicatura.
  4. D) Doença do refluxo gastroesofágico e cardiomiotomia.
  5. E) Neoplasia anular do esôfago.

Pérola Clínica

Disfagia progressiva + dilatação esofágica + afilamento distal no esofagograma → Megaesôfago, tratamento com cardiomiotomia.

Resumo-Chave

A disfagia progressiva para sólidos, pastosos e líquidos, associada a dilatação esofágica e afilamento distal (sinal do bico de pássaro) no esofagograma, é altamente sugestiva de megaesôfago (acalasia). O tratamento definitivo para casos avançados é a cardiomiotomia (cirurgia de Heller), que visa relaxar o esfíncter esofágico inferior.

Contexto Educacional

O megaesôfago, também conhecido como acalasia, é um distúrbio motor primário do esôfago caracterizado pela aperistalse do corpo esofágico e pela falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) durante a deglutição. No Brasil, a etiologia mais comum é a doença de Chagas, que causa a destruição dos neurônios do plexo mioentérico. A condição leva a uma disfagia progressiva, inicialmente para sólidos e, com o tempo, para pastosos e líquidos, além de regurgitação, dor torácica e perda de peso. O diagnóstico é estabelecido pela história clínica e exames complementares. O esofagograma baritado é um exame chave, que tipicamente revela dilatação do esôfago, retardo no esvaziamento do contraste e o clássico 'sinal do bico de pássaro' no EEI. A manometria esofágica de alta resolução confirma o diagnóstico ao demonstrar aperistalse e relaxamento incompleto do EEI. É crucial diferenciar de outras causas de disfagia, como estenoses pépticas ou neoplasias. O tratamento visa aliviar a obstrução do EEI e melhorar a passagem do alimento. As opções incluem dilatação endoscópica por balão, injeção de toxina botulínica e, mais frequentemente, a cardiomiotomia (cirurgia de Heller), que pode ser realizada por via laparoscópica. A cardiomiotomia consiste na secção das fibras musculares do EEI, sendo frequentemente associada a uma fundoplicatura parcial para prevenir o refluxo gastroesofágico. Em casos muito avançados, com grande dilatação e tortuosidade (megaesôfago grau IV), a esofagectomia pode ser necessária.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos do megaesôfago no exame contrastado do esôfago?

O exame contrastado tipicamente revela dilatação do corpo esofágico, retardo no esvaziamento do contraste e um afilamento distal característico do esfíncter esofágico inferior, conhecido como 'sinal do bico de pássaro'.

O que é a cardiomiotomia e como ela trata o megaesôfago?

A cardiomiotomia (cirurgia de Heller) é um procedimento cirúrgico que consiste na secção das fibras musculares do esfíncter esofágico inferior. Isso permite o relaxamento do esfíncter, facilitando a passagem do alimento para o estômago e aliviando a disfagia.

Qual a principal causa do megaesôfago no Brasil?

No Brasil, a principal causa do megaesôfago é a doença de Chagas, causada pelo parasita Trypanosoma cruzi. A infecção leva à destruição dos neurônios do plexo mioentérico do esôfago, resultando em aperistalse e falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior.

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