Disfagia Crônica: Investigação de Megaesôfago e Chagas

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 70 anos, relata que vêm apresentando dificuldade para engolir há vários anos, queixando-se de sensação de entalo até para alimentos pastosos necessitando de ingesta de líquido para "empurrar" a comida. Notou emagrecimento neste período, acha que perdeu 20 Kg. Nasceu e reside em zona rural próximo a São José do Rio Preto, nega histórico de neoplasia em sua família. Procurou atendimento em sua cidade onde realizou uma Endoscopia Digestiva Alta (EDA) cujo laudo mostrou esofagite edematosa e gastrite enantematosa. Sobre este quadro clínico e dentre as alternativas abaixo, qual a que melhor se enquadra na condução deste caso:

Alternativas

  1. A) Solicitar um Exame Radiológico Contrastado tendo como hipótese diagnóstica o megaesôfago.
  2. B) A EDA foi sugestiva de refluxo gastroesofágico, com isso iniciar o tratamento com inibidor de bomba de Próton (IBP) e medidas comportamentais.
  3. C) O melhor seria repetir a EDA com biópsias para pesquisa do Helicobacter Pylori
  4. D) Iniciar tratamento com IBP mas solicitar um Tomografia de Tórax para excluir uma compressão extrínseca.

Pérola Clínica

Disfagia progressiva + emagrecimento + zona rural + EDA normal → suspeitar megaesôfago, investigar com esofagograma.

Resumo-Chave

A disfagia progressiva para sólidos e líquidos, associada a emagrecimento e histórico de residência em zona rural endêmica para Doença de Chagas, mesmo com EDA sem alterações significativas para a disfagia, deve levantar a forte suspeita de megaesôfago. O exame radiológico contrastado (esofagograma) é o próximo passo diagnóstico para avaliar a motilidade e o calibre esofágico.

Contexto Educacional

A disfagia é um sintoma alarmante que requer investigação cuidadosa, especialmente quando progressiva e associada a perda de peso. Em pacientes idosos, com histórico de residência em zona rural endêmica para Doença de Chagas, a suspeita de megaesôfago deve ser alta. O megaesôfago, frequentemente causado pela Doença de Chagas no Brasil, é caracterizado pela destruição dos neurônios do plexo mioentérico esofágico, resultando em aperistalse e falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior (acalasia). Isso leva à estase alimentar e dilatação progressiva do esôfago. Embora a Endoscopia Digestiva Alta (EDA) seja um exame inicial importante para excluir lesões obstrutivas ou neoplásicas, ela pode ser normal ou mostrar apenas esofagite de estase no megaesôfago. O exame radiológico contrastado (esofagograma baritado) é crucial para avaliar a motilidade e a morfologia esofágica, revelando dilatação e o clássico 'sinal do bico de pássaro'. A manometria esofágica é o padrão-ouro para confirmar a acalasia.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para megaesôfago?

Os sinais de alerta incluem disfagia progressiva para sólidos e líquidos, regurgitação, dor torácica, perda de peso e, em regiões endêmicas, histórico de Doença de Chagas.

Por que a EDA pode ser normal no megaesôfago?

A EDA pode ser normal porque ela avalia principalmente a mucosa esofágica. No megaesôfago, o problema primário é a alteração da motilidade (acalasia), que não é diretamente visível na endoscopia, embora possa haver sinais secundários como estase alimentar ou esofagite.

Qual o próximo passo diagnóstico após suspeita de megaesôfago?

Após a suspeita clínica, o próximo passo é solicitar um exame radiológico contrastado do esôfago (esofagograma baritado), que pode demonstrar dilatação esofágica, aperistalse e o 'sinal do bico de pássaro'. A manometria esofágica é o padrão-ouro para confirmar a acalasia.

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