Megacólon Tóxico: Manejo Cirúrgico de Urgência na Retocolite

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2022

Enunciado

Sobre as doenças do cólon e as cirurgias relacionadas, assinale a opção CORRETA:

Alternativas

  1. A) Nos casos suspeitos de diverticulite aguda, para confirmação diagnóstica devemos solicitar TC de abdome ou videocolonoscopia;
  2. B) O volvo de sigmoide é de difícil diagnóstico, necessitando muitas vezes de uma TC de abdome ou de um edema opaco. O tratamento inicial (devolvulação) pode ser feito por via endoscópica;
  3. C) Megacólon tóxico é uma condição presente em alguns casos de retocolite e que se não melhora com medidas clínicas em 48h a 72h podem exigir uma intervenção cirúrgica de urgência (colectomia total com ileostomia terminal e fechamento do coto retal);
  4. D) O câncer de cólon não polipoide hereditário (HNPCC) chega a um risco de cerca de 80% de câncer durante a vida e exigem uma vigilância maior que a população em geral, com colonoscopia anual a partir dos 50 anos de idade;
  5. E) Cerca de 10% dos pacientes irão apresentar um câncer sincrônico, por isso a importância de avaliar todo o cólon com uma colonoscopia no pré-operatório de um paciente sabidamente com câncer no reto.

Pérola Clínica

Megacólon tóxico refratário ao tratamento clínico em 48-72h → colectomia total de urgência.

Resumo-Chave

Megacólon tóxico é uma complicação grave de doenças inflamatórias intestinais como a retocolite ulcerativa. Se não houver melhora clínica com tratamento intensivo em 48-72 horas, a colectomia total com ileostomia terminal é a conduta cirúrgica de urgência para evitar perfuração e sepse.

Contexto Educacional

O megacólon tóxico é uma complicação grave e potencialmente fatal de doenças inflamatórias intestinais, como a retocolite ulcerativa, e de algumas infecções colônicas, como a colite por Clostridioides difficile. Caracteriza-se por uma dilatação aguda e grave do cólon, acompanhada de sinais de toxicidade sistêmica, como febre, taquicardia e leucocitose. A condição representa uma emergência médica devido ao alto risco de perfuração colônica, sepse e morte. O diagnóstico do megacólon tóxico é clínico e radiológico, exigindo alta suspeição em pacientes com doença inflamatória intestinal que apresentam piora súbita. O tratamento inicial é clínico e intensivo, envolvendo suspensão de medicamentos que diminuem a motilidade intestinal, corticoides intravenosos, antibióticos de amplo espectro, correção hidroeletrolítica e descompressão nasogástrica. A monitorização rigorosa é essencial, com avaliações clínicas e radiológicas seriadas. A falha do tratamento clínico em 48 a 72 horas, ou a presença de perfuração, hemorragia incontrolável ou isquemia colônica, são indicações claras para intervenção cirúrgica de urgência. A colectomia total com ileostomia terminal e fechamento do coto retal é o procedimento de escolha, visando remover o segmento colônico doente e prevenir complicações fatais. Para residentes, o reconhecimento precoce e a decisão oportuna entre manejo clínico e cirúrgico são cruciais para o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para megacólon tóxico?

O diagnóstico de megacólon tóxico envolve a presença de dilatação colônica (diâmetro > 6 cm no cólon transverso) em radiografia simples, associada a sinais de toxicidade sistêmica, como febre (>38°C), taquicardia (>120 bpm), leucocitose (>10.500/mm³) e anemia, além de desidratação, alteração do estado mental ou hipotensão.

Quando a cirurgia é indicada no megacólon tóxico?

A cirurgia de urgência é indicada se o paciente com megacólon tóxico não apresentar melhora clínica significativa após 48 a 72 horas de tratamento clínico intensivo (corticoides, antibióticos, suporte hidroeletrolítico), ou se houver sinais de perfuração intestinal, hemorragia maciça ou isquemia colônica.

Qual o procedimento cirúrgico padrão para megacólon tóxico?

O procedimento cirúrgico padrão é a colectomia total com ileostomia terminal e fechamento do coto retal (procedimento de Hartmann modificado ou bolsa de Hartmann). Esta abordagem remove o cólon doente e desvia o trânsito intestinal, minimizando o risco de contaminação e permitindo a recuperação do paciente em um contexto de urgência.

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