INCA - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (RJ) — Prova 2021
Mulher, 54 anos, com retocolite ulcerativa apresenta quadro de megacolon tóxico com indicação cirúrgica. Pode-se afirmar que o procedimento cirúrgico melhor indicado é:
Megacolon tóxico por RCU com indicação cirúrgica → Colectomia total com ileostomia e preservação do reto.
Em casos de megacolon tóxico secundário à retocolite ulcerativa com falha ao tratamento clínico e indicação cirúrgica, a colectomia total com ileostomia terminal e preservação do coto retal (procedimento de Hartmann modificado) é o procedimento de escolha, pois é mais seguro em ambiente de emergência e permite uma segunda etapa com reconstrução.
A retocolite ulcerativa (RCU) é uma doença inflamatória intestinal crônica que afeta o cólon e o reto, caracterizada por inflamação contínua da mucosa. O megacolon tóxico é uma complicação grave e potencialmente fatal da RCU, caracterizada por dilatação colônica aguda associada a sinais de toxicidade sistêmica, como febre, taquicardia, leucocitose e hipotensão. Sua importância clínica reside na alta mortalidade se não for prontamente reconhecido e tratado. A fisiopatologia do megacolon tóxico envolve inflamação transmural, disfunção da motilidade colônica e liberação de mediadores inflamatórios. O diagnóstico é clínico e radiológico, com radiografia abdominal mostrando dilatação colônica. A suspeita deve ser alta em pacientes com RCU que apresentam piora súbita do quadro, dor abdominal intensa e sinais de sepse. O tratamento inicial do megacolon tóxico é clínico, com hidratação, antibióticos e corticosteroides. No entanto, a falha do tratamento clínico ou a presença de perfuração intestinal são indicações para cirurgia de emergência. Nesses casos, a colectomia total com ileostomia terminal e preservação do coto retal (procedimento de Hartmann modificado) é a conduta mais segura e indicada, pois minimiza o risco de complicações em um paciente grave, permitindo uma reconstrução posterior eletiva.
O megacolon tóxico é diagnosticado pela dilatação colônica (geralmente > 6 cm) em radiografia abdominal, associada a sinais de toxicidade sistêmica como febre, taquicardia, leucocitose e anemia.
A proctocolectomia com bolsa ileal é um procedimento mais complexo, com maior tempo cirúrgico e risco de complicações, sendo contraindicada em pacientes instáveis ou com inflamação aguda grave como no megacolon tóxico.
A preservação do reto permite uma cirurgia menos invasiva e mais segura na fase aguda, possibilitando uma segunda etapa eletiva para a criação de uma bolsa ileal (ileal pouch-anal anastomosis - IPAA) e restauração da continuidade intestinal.
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