HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026
Homem de 32 anos, portador de retocolite ulcerativa há 5 anos, em uso irregular de mesalazina, procura o pronto-socorro por dor abdominal difusa e intensa há 24 horas, acompanhada de distensão abdominal progressiva e febre (38,9 ºC), além de diarreia sanguinolenta há 5 dias. Ao exame físico, apresenta abdome distendido, timpânico, difusamente doloroso e ruídos hidroaéreos diminuídos. A frequência cardíaca é de 124 bpm e a pressão arterial de 90x60 mmHg. Os exames laboratoriais relevantes para o caso são: leucócitos: 18.500/mm3 ; hemoglobina: 10,2 g/dL; PCR: 160 mg/L; e creatinina: 1,9 mg/dL. A radiografia simples do abdome é demonstrada na imagem a seguir: Foram iniciados jejum, hidratação, antibioticoterapia e corticoterapia, porém sem melhora dos parâmetros clínicos nas primeiras 24 horas. Dessa forma, a conduta indicada neste momento é:
Megacólon tóxico refratário (24-72h) → Colectomia subtotal + Ileostomia terminal.
O megacólon tóxico é uma emergência cirúrgica quando há falha do tratamento clínico inicial, visando prevenir a perfuração e peritonite fecal.
O megacólon tóxico representa uma dilatação não obstrutiva do cólon associada à toxicidade sistêmica. Na retocolite ulcerativa (RCU), a inflamação transmural leva à paralisia do plexo mioentérico e adelgaçamento da parede intestinal. O manejo inicial é clínico, mas a refratariedade é uma indicação clássica de cirurgia. A cirurgia de escolha na urgência é a colectomia subtotal. A proctocolectomia total é evitada devido ao maior tempo cirúrgico e risco de lesão de nervos pélvicos em um campo inflamado. A preservação do reto permite que, após a recuperação do estado nutricional e inflamatório, o paciente seja submetido à reconstrução com bolsa ileal.
O diagnóstico requer evidência radiológica de dilatação colônica (>6 cm) associada a pelo menos três dos seguintes: febre >38.6°C, frequência cardíaca >120 bpm, leucocitose >10.500/mm³ ou anemia. Além disso, deve haver um sinal de toxicidade sistêmica como desidratação ou hipotensão.
A colectomia subtotal com ileostomia terminal e sepultamento do reto é o procedimento de escolha porque remove a maior parte da carga inflamatória, é tecnicamente mais rápida e segura em pacientes críticos, preservando o reto para uma futura reconstrução eletiva.
Em casos de megacólon tóxico, o tratamento clínico com jejum, hidratação, corticoides venosos e antibióticos deve ser reavaliado em 24 a 72 horas. Se não houver melhora clínica ou houver piora dos parâmetros laboratoriais, a cirurgia deve ser indicada imediatamente.
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