HDG - Hospital Dilson Godinho (MG) — Prova 2015
Paciente feminina, 45 anos, com queixas de constipação progressiva com início há mais de 10 anos. É procedente de Crateús-CE e já morou em casa de taipa e diz conhecer o mosquito "barbeiro". Diz que já usou vários tipos de laxantes, mas é comum passar até 10 dias sem evacuar por não ter vontade. Já esteve no pronto-socorro várias vezes, onde foi submetida à clisteres evacuativos e até à extração manual de fecaloma. Foi encaminhada para serviço especializado para diagnóstico e tratamento adequado. Qual a sequência mais adequada no diagnóstico e tratamento da paciente?
Megacólon chagásico: sorologia Chagas + enema opaco + eletromanometria → cirurgia de Duhamel para casos refratários.
Em paciente com história epidemiológica e clínica sugestiva de doença de Chagas e megacólon refratário ao tratamento clínico, a sequência diagnóstica inclui sorologia para Chagas, eletromanometria anorretal para avaliação funcional e enema opaco para avaliação anatômica. O tratamento cirúrgico, como a cirurgia de Duhamel modificada, é indicado para casos avançados e refratários.
A doença de Chagas é uma parasitose endêmica em algumas regiões da América Latina, incluindo o Nordeste do Brasil, causada pelo Trypanosoma cruzi. Em sua fase crônica, pode levar a acometimentos cardíacos e digestivos, sendo o megacólon e o megaesôfago as manifestações mais comuns no trato gastrointestinal. A paciente do caso apresenta um quadro clássico de megacólon chagásico, com constipação progressiva e refratária, história epidemiológica de exposição ao vetor ('barbeiro') e necessidade de intervenções para evacuação. O diagnóstico da doença de Chagas é feito por sorologia. Para o megacólon, a avaliação inclui exames funcionais como a eletromanometria anorretal, que pode demonstrar alterações na motilidade e relaxamento esfincteriano, e exames de imagem como o enema opaco, que revela a dilatação e alongamento do cólon, característicos da doença. A colonoscopia pode ser realizada para excluir outras patologias, mas não é o principal método para o diagnóstico morfológico do megacólon. O tratamento inicial do megacólon chagásico é clínico, com dieta rica em fibras, laxantes e enemas. No entanto, em casos de constipação grave e refratária, com complicações como fecaloma ou volvo, a intervenção cirúrgica torna-se necessária. A cirurgia de Duhamel modificada é uma das técnicas mais empregadas, visando a ressecção do segmento colônico afetado e a restauração de uma função evacuadora mais fisiológica, melhorando significativamente a qualidade de vida do paciente.
O diagnóstico do megacólon chagásico envolve a sorologia para doença de Chagas, que confirma a infecção pelo Trypanosoma cruzi. Para avaliar a extensão e a função do cólon, são utilizados o enema opaco (padrão ouro para avaliação anatômica) e a eletromanometria anorretal (para avaliação funcional).
A cirurgia é indicada para pacientes com megacólon chagásico que apresentam constipação grave e refratária ao tratamento clínico conservador, com complicações como fecaloma recorrente, volvo ou impactação fecal que comprometem a qualidade de vida.
A cirurgia de Duhamel modificada é uma técnica cirúrgica utilizada para o tratamento do megacólon, que consiste na ressecção do cólon dilatado e alongado, seguida de uma anastomose colorretal retro-retal baixa, preservando o reto distal e a inervação esfincteriana para melhorar a função evacuadora.
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