Megacólon Chagásico: Diagnóstico e Manejo da Obstrução Intestinal

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 69 anos, refere estar há 7 dias sem evacuar, dor em cólicas e aumento do volume abdominal. Nega vômitos. Refere ser constipada. O hábito intestinal habitual era de evacuações a cada 4 dias com uso de laxativos. No último ano, passou a necessitar de lavagens intestinais esporádicas. Tem diagnóstico de doença de Chagas com miocardiopatia e arritmia controlada com medicamentos. Ao exame físico encontra-se em bom estado geral, desidratada, FC de 80 bpm, PA de 120x80 mmHg; abdome: distensão importante, doloroso à palpação profunda sem irritação peritoneal; toque retal sem fezes. Exames laboratoriais: Hb: 11,7 g/dL; Ht: 35%; leucócitos: 9.419/mm³ sem desvio; PCR: 17 mg/L; creatinina: 1,1 mg/dL; ureia: 39 mg/dL. Tomografia apresentada a seguir: Considerando-se a principal hipótese, assinale a melhor conduta neste momento. 

Alternativas

  1. A) Colonoscopia. 
  2. B) Lavagem intestinal. 
  3. C) Colectomia total com ileostomia. 
  4. D) Colectomia esquerda com anastomose. 

Pérola Clínica

Paciente com Doença de Chagas e constipação crônica grave + obstrução intestinal → suspeitar megacólon chagásico.

Resumo-Chave

A doença de Chagas é uma causa importante de megacólon no Brasil, levando a constipação crônica progressiva e, eventualmente, quadros de obstrução intestinal. A tomografia pode mostrar dilatação colônica, mas a colonoscopia é crucial para descartar causas obstrutivas mecânicas e, em alguns casos, pode ser terapêutica (descompressão de volvo).

Contexto Educacional

O megacólon chagásico é uma das manifestações crônicas da doença de Chagas, causada pelo Trypanosoma cruzi, e representa um grave problema de saúde pública em regiões endêmicas. Caracteriza-se pela dilatação e alongamento do cólon, principalmente do sigmoide, resultando em constipação crônica refratária, dor abdominal e, em casos avançados, complicações como volvo, fecaloma e obstrução intestinal. A prevalência aumenta com a idade e a duração da infecção. A fisiopatologia envolve a destruição dos gânglios nervosos entéricos, levando à denervação do cólon e perda da motilidade peristáltica coordenada. Isso resulta em acúmulo de fezes, dilatação progressiva e hipertrofia da parede muscular. O diagnóstico é baseado na história clínica (constipação crônica, doença de Chagas), exame físico (distensão abdominal, massa palpável) e exames de imagem como radiografias simples, enema opaco e tomografia computadorizada, que evidenciam a dilatação colônica. No manejo de um quadro agudo de obstrução intestinal em paciente com megacólon chagásico, a colonoscopia é frequentemente a melhor conduta inicial. Ela permite a exclusão de outras causas obstrutivas (como neoplasias) e, em muitos casos, a descompressão de um volvo de sigmoide, evitando a necessidade de cirurgia de emergência. A colectomia total com ileostomia ou colectomia esquerda com anastomose são opções cirúrgicas para casos refratários ou complicações graves, mas não a primeira abordagem em um quadro de obstrução sem sinais de peritonite.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas do megacólon chagásico?

O megacólon chagásico manifesta-se principalmente por constipação crônica e progressiva, dor abdominal em cólica, distensão abdominal e, em casos avançados, quadros de suboclusão ou oclusão intestinal, fecaloma e volvo.

Qual o papel da colonoscopia no manejo de um paciente com suspeita de megacólon chagásico e obstrução?

A colonoscopia tem papel diagnóstico para excluir outras causas de obstrução (neoplasias, estenoses) e pode ser terapêutica, especialmente na descompressão de um volvo de sigmoide, que é uma complicação comum do megacólon.

Como a doença de Chagas causa megacólon?

A doença de Chagas causa megacólon devido à destruição dos neurônios do plexo mioentérico (Auerbach) e submucoso (Meissner) pelo Trypanosoma cruzi, levando à denervação do cólon, perda do tônus muscular e dilatação progressiva.

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