PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2015
Paciente de 67 anos, masculino, obstipado crônico, natural do norte do Paraná, refere dor abdominal em cólica há cinco dias e distensão abdominal há dois dias. Nega evacuação há seis dias. Refere eliminação de flatos e nega vômitos. Tem como antecedente arritmia cardíaca em tratamento. Ao exame físico: regular estado geral, normocorado, desidratado +, PA: 110 x 60, pulso: 70 bpm, Abdome distendido, flácido, doloroso em hipogástrio, RHA presentes, toque retal: ausência de fezes. Raio X de abdômen com distensão colônica de sigmoide. Há ausência de ar no reto. Indique a provável etiologia do megacólon e a complicação atual.
Paciente idoso, obstipação crônica, área endêmica Chagas, distensão abdominal + RX "grão de café" → Megacólon chagásico + volvo de sigmoide.
A história de obstipação crônica em paciente do norte do Paraná (área endêmica de Chagas) sugere megacólon chagásico. A apresentação aguda com dor em cólica, distensão abdominal, ausência de evacuação/flatos e ausência de ar no reto, associada à distensão colônica de sigmoide no RX, é altamente sugestiva de volvo de sigmoide, uma complicação grave do megacólon.
O megacólon é uma dilatação anormal e crônica do cólon, sendo o megacólon chagásico uma das etiologias mais importantes no Brasil, especialmente em regiões endêmicas como o norte do Paraná. A doença de Chagas, causada pelo Trypanosoma cruzi, provoca a destruição dos neurônios do plexo mioentérico, resultando em dismotilidade e dilatação progressiva do cólon, levando à obstipação crônica grave. A complicação aguda mais temida do megacólon é o volvo, que ocorre quando uma alça intestinal se torce sobre seu próprio mesentério, causando obstrução e isquemia. O volvo de sigmoide é o tipo mais comum. Clinicamente, manifesta-se com dor abdominal em cólica intensa, distensão abdominal, parada de eliminação de flatos e fezes. Ao exame físico, o abdome é distendido e o toque retal pode revelar ausência de fezes e ampola vazia. O diagnóstico do volvo de sigmoide é frequentemente confirmado por radiografia simples de abdômen, que mostra uma alça sigmoide dilatada em "grão de café" ou "U invertido" e ausência de ar no reto. O tratamento inicial geralmente envolve a descompressão endoscópica, mas a cirurgia pode ser necessária em casos de falha da descompressão, isquemia ou perfuração. O reconhecimento rápido e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações graves como necrose intestinal e peritonite.
A doença de Chagas, causada pelo Trypanosoma cruzi, destrói os neurônios do plexo mioentérico (Auerbach) no cólon, levando à denervação, perda do tônus muscular e dilatação progressiva, resultando em megacólon.
No raio-X de abdômen, o volvo de sigmoide classicamente apresenta uma alça sigmoide dilatada em forma de "grão de café" ou "U invertido", com a ponta apontando para o quadrante superior direito, e ausência de ar no reto.
A conduta inicial é a descompressão endoscópica (detorsão) com colonoscopia, que pode ser terapêutica e diagnóstica. Em casos de isquemia, perfuração ou falha da descompressão, a cirurgia é indicada.
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