MedEvo Simulado — Prova 2026
Escolar de 7 anos de idade é levado à consulta pediátrica devido a quadro de cefaleia holocraniana de caráter progressivo com início há cerca de 45 dias. A mãe relata que a dor é mais intensa no período matinal, ocasionalmente associada a episódios de vômitos em jato, sem náuseas precedentes, após os quais a criança apresenta melhora parcial da dor. Nas últimas duas semanas, o paciente passou a apresentar marcha instável, com quedas frequentes, e a professora notou que ele está desviando o olhar para ler. Ao exame físico, o paciente apresenta-se afebril, com bom estado geral. A avaliação neurológica revela ataxia de marcha e dismetria bilateral. A fundoscopia demonstra borramento das margens papilares e ausência de pulso venoso bilateralmente. Não há rigidez de nuca ou déficits de força muscular aparente. Com base no quadro clínico apresentado, o diagnóstico mais provável é:
Cefaleia matinal + Vômitos em jato + Ataxia em criança = Tumor de Fossa Posterior (Meduloblastoma).
O meduloblastoma é o tumor cerebral maligno mais comum na infância, localizado no cerebelo, causando obstrução do 4º ventrículo e síndrome de hipertensão intracraniana.
Os tumores do Sistema Nervoso Central são a segunda neoplasia mais comum na infância, perdendo apenas para as leucemias. Entre os tumores sólidos, são os mais frequentes. O meduloblastoma é um tumor neuroepitelial embrionário altamente maligno (Grau IV da OMS) que se localiza na fossa posterior. Sua proximidade com o quarto ventrículo leva rapidamente à hidrocefalia obstrutiva, explicando a clínica de hipertensão intracraniana. O diagnóstico precoce é vital, pois o tratamento envolve ressecção cirúrgica máxima, radioterapia e quimioterapia, com prognóstico dependente do subtipo molecular e da extensão da ressecção.
Embora não seja uma tríade formal, a apresentação clássica envolve sinais de hipertensão intracraniana (cefaleia matinal, vômitos em jato e papiledema) associados a sinais cerebelares (ataxia de marcha, dismetria e instabilidade de tronco). Como o tumor geralmente se origina no vermis cerebelar, a ataxia de marcha é um dos sinais mais precoces e proeminentes.
A enxaqueca costuma ser episódica, com períodos de normalidade entre as crises, e frequentemente associada a náuseas e fotofobia. Já o meduloblastoma apresenta cefaleia progressiva, que piora ao deitar (pelo aumento da pressão intracraniana) e é mais intensa ao acordar. A presença de sinais neurológicos focais, como ataxia, estrabismo (por paralisia do VI par) ou papiledema, exclui o diagnóstico de enxaqueca primária.
A Ressonância Magnética (RM) de crânio com contraste é o padrão-ouro. Ela permite visualizar a localização exata do tumor na fossa posterior, sua relação com o quarto ventrículo e a presença de hidrocefalia obstrutiva. Além disso, a RM de neuroeixo é necessária para o estadiamento, já que o meduloblastoma tem alta propensão a disseminação pelo líquidocéfalorraquidiano.
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