Manejo do Tracoma em Ambiente Escolar

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016

Enunciado

Um médico de uma Unidade Básica de Saúde foi chamado pela direção de uma escola de Ensino Fundamental para avaliar algumas crianças que se apresentavam com os olhos vermelhos. A professora do 3º ano está preocupada com o número crescente de alunos que têm se queixado de dor, sensação de areia nos olhos, lacrimejamento e dificuldade de olhar para ambientes claros. Dos 43 alunos da turma dessa professora, 10 já apresentaram as queixas. Ao examinar as crianças, chama atenção do médico a presença de triquiase com cicatriz na conjuntiva tarsal, hiperemia conjuntival importante e pouca secreção purulenta. Além da orientação sobre medidas de higiene e modo de transmissão do agente etiológico, a conduta nesse caso é:

Alternativas

  1. A) Afastar do ambiente escolar as crianças que apresentam o problema e prescrever tobramicina 0,3% tópica como tratamento.
  2. B) Prescrever medicamentos para alívio dos sintomas e aguardar resolução espontânea do problema nas crianças atingidas.
  3. C) Realizar cultura para confirmação de agente etiológico e prescrever tobramicina 0,3% tópica para tratamento das crianças atingidas pelo problema.
  4. D) Realizar tratamento coletivo com azitromicina 20 mg/kg de peso, por via oral, durante 3 dias e programar o controle de tratamento para as crianças atingidas pelo problema.

Pérola Clínica

Triquíase + Cicatriz tarsal em surto escolar → Tracoma (Tratamento coletivo: Azitromicina).

Resumo-Chave

O tracoma é uma ceratoconjuntivite crônica recidivante. Em cenários de alta prevalência ou surtos escolares, o tratamento coletivo com azitromicina oral é a conduta de escolha para eliminar o reservatório bacteriano.

Contexto Educacional

O tracoma é a principal causa infecciosa de cegueira no mundo, sendo endêmico em áreas com precárias condições de saneamento. É causado pelos sorotipos A, B, Ba e C da *Chlamydia trachomatis*. A transmissão ocorre por contato direto pessoa a pessoa ou por fômites e moscas. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na presença de folículos conjuntivais, cicatrizes tarsais e triquíase. O tratamento em massa (Mass Drug Administration - MDA) é indicado quando a prevalência de tracoma folicular em crianças de 1 a 9 anos é superior a 5% ou 10% na comunidade, visando reduzir a carga bacteriana global e prevenir a progressão para as formas cicatriciais graves.

Perguntas Frequentes

O que é a estratégia SAFE da OMS?

A estratégia SAFE é o protocolo da Organização Mundial da Saúde para eliminação do tracoma: S (Surgery) para triquíase, A (Antibiotics) para tratar a infecção por Chlamydia, F (Facial cleanliness) para higiene facial e E (Environmental improvement) para melhoria do saneamento e acesso à água.

Como o tracoma causa cegueira?

Infecções repetidas por Chlamydia trachomatis causam inflamação crônica e cicatrizes na conjuntiva tarsal (tracoma cicatricial). Essas cicatrizes fazem a pálpebra virar para dentro (entrópio), levando os cílios a tocarem o globo ocular (triquíase). O atrito constante dos cílios causa opacificação corneana irreversível e cegueira.

Qual a dose de azitromicina para tracoma?

Para o tratamento individual ou coletivo do tracoma, a dose recomendada de azitromicina é de 20 mg/kg de peso corporal em dose única oral (máximo de 1g). Em algumas situações de controle epidemiológico rigoroso, o protocolo pode ser adaptado, mas a dose única é o padrão ouro da OMS.

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