PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
Uma paciente de 45 anos, mãe solo de três filhos pequenos, procura a unidade de saúde devido a uma dor lombar persistente e insônia. Ela trabalha como diarista, não tem apoio familiar e vive em uma comunidade com acesso limitado a serviços de saúde. A paciente está visivelmente estressada, com dificuldade em conciliar suas responsabilidades e em seguir tratamentos médicos anteriores. No histórico, já foi diagnosticada com depressão e hipertensão, mas abandonou o acompanhamento por falta de tempo e recursos.Durante a consulta, a paciente admite que tem dificuldades em confiar nos profissionais de saúde e diz que já passou por muitas consultas sem conseguir resolver seus problemas. O sistema de saúde local relata que a paciente teve várias faltas em consultas agendadas.Qual seria a conduta mais adequada para este caso, com base nos princípios da Medicina de Família e Comunidade?
MFC → Cuidado integral, biopsicossocial, centrado no paciente, construindo confiança e acessibilidade.
A Medicina de Família e Comunidade foca na pessoa em seu contexto social, econômico e familiar. Para pacientes com múltiplas barreiras, a construção de confiança e um plano de cuidado flexível e acessível são cruciais para a adesão e o sucesso terapêutico.
A Medicina de Família e Comunidade (MFC) é uma especialidade que se destaca pela sua abordagem integral e centrada na pessoa, considerando o indivíduo em seu contexto familiar, social e cultural. Ela reconhece que a saúde não é apenas a ausência de doença, mas um estado de bem-estar influenciado por múltiplos determinantes sociais, como condições de trabalho, moradia, acesso a serviços e redes de apoio. A atuação do médico de família vai além do tratamento de doenças, buscando promover saúde, prevenir agravos e coordenar o cuidado ao longo da vida do paciente. Nesse contexto, a construção de uma relação de confiança é a base para um cuidado efetivo, especialmente com pacientes que enfrentam múltiplas vulnerabilidades e histórico de desconfiança no sistema de saúde. O médico deve demonstrar empatia, escuta qualificada e respeito, validando as experiências do paciente. A compreensão dos determinantes sociais da saúde permite ao profissional identificar as barreiras que impedem a adesão ao tratamento e a busca por cuidado, como falta de tempo, recursos financeiros limitados ou dificuldades de transporte. Um plano de cuidado adequado deve ser flexível, acessível e negociado com o paciente, levando em conta suas prioridades e limitações. Isso pode incluir horários de consulta adaptados, uso de tecnologias de comunicação, encaminhamentos para serviços sociais e a busca por soluções criativas para garantir o acompanhamento contínuo. A MFC enfatiza a longitudinalidade do cuidado, ou seja, o acompanhamento do paciente ao longo do tempo, o que fortalece o vínculo e aumenta as chances de sucesso terapêutico em condições crônicas como depressão e hipertensão.
A abordagem biopsicossocial é fundamental porque reconhece que a saúde e a doença são influenciadas por fatores biológicos, psicológicos e sociais. Ela permite uma compreensão holística do paciente, identificando barreiras e recursos que impactam o processo de saúde-doença e a adesão ao tratamento.
A construção da confiança exige escuta ativa, empatia, comunicação clara e transparente, respeito às crenças e valores do paciente, e demonstração de compromisso com seu bem-estar. É importante validar as experiências passadas do paciente e envolvê-lo ativamente na tomada de decisões sobre seu cuidado.
Estratégias incluem a criação de planos de cuidado flexíveis e acessíveis (horários adaptados, teleconsultas), o uso de linguagem simples, o envolvimento da rede de apoio (se houver), a identificação e superação de barreiras financeiras/logísticas, e o estabelecimento de metas realistas e alcançáveis em conjunto com o paciente.
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