UNOCHAPECÓ - Universidade Comunitária da Região de Chapecó (SC) — Prova 2015
A solicitação "desenfreada" de exames laboratoriais pré-operatórios, chamados de "rotina", é muito comum em nosso meio e envolve clínicos, cirurgiões e anestesistas. Muitos profissionais acreditam que, pedindo o máximo de exames, poderão estar se resguardando judicialmente caso sejam questionados por advogados e familiares dos pacientes. Com relação a essa afirmativa, é correto afirmar que:
Exames pré-operatórios de rotina = medicina defensiva, sem benefício ao paciente, ↑ custos.
A solicitação excessiva de exames pré-operatórios sem indicação clínica específica configura medicina defensiva. Essa prática não melhora os desfechos do paciente, aumenta custos e pode gerar ansiedade e falsos positivos, levando a investigações desnecessárias.
A medicina defensiva é um fenômeno global, caracterizado pela prática de atos médicos (solicitação de exames, procedimentos, internações) que não visam primariamente o benefício do paciente, mas sim a proteção legal do profissional contra possíveis processos judiciais. No contexto pré-operatório, isso se manifesta na solicitação "desenfreada" de exames laboratoriais de rotina, muitas vezes sem uma indicação clínica clara, sob a crença equivocada de que "quanto mais exames, mais seguro". A fisiopatologia dessa prática está enraizada no medo da litigância e na falta de compreensão das evidências que guiam a avaliação pré-operatória. Muitos profissionais acreditam que a detecção de qualquer alteração, mesmo que clinicamente irrelevante, pode prevenir complicações ou servir como prova de diligência. No entanto, estudos demonstram que a maioria das alterações em exames de rotina em pacientes assintomáticos não altera a conduta nem previne complicações, e pode até gerar falsos positivos que levam a investigações invasivas e atrasos desnecessários. A conduta correta na avaliação pré-operatória deve ser baseada em uma análise individualizada do paciente, considerando sua idade, comorbidades, medicamentos em uso e o tipo de cirurgia proposta. As diretrizes atuais recomendam a solicitação de exames apenas quando há uma indicação clínica específica, ou seja, quando o resultado do exame pode alterar o manejo perioperatório e impactar positivamente o desfecho do paciente. A educação médica contínua e a promoção de uma cultura de segurança do paciente, focada na evidência e não no medo, são essenciais para combater a medicina defensiva.
Medicina defensiva é a prática de solicitar exames, procedimentos ou consultas desnecessárias, ou prescrever tratamentos não ideais, com o objetivo principal de evitar litígios ou acusações de negligência, em vez de focar no melhor interesse do paciente.
Os riscos incluem aumento de custos, ansiedade do paciente, resultados falso-positivos que levam a investigações adicionais desnecessárias e atrasos na cirurgia, sem melhora nos desfechos perioperatórios.
A abordagem correta deve ser individualizada, baseada na história clínica do paciente, exame físico, comorbidades e tipo de cirurgia, solicitando apenas os exames que realmente podem alterar o manejo perioperatório.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo