UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2016
Uma paciente chega à unidade de saúde com queixa de cefaleia crônica e solicita, insistentemente, uma tomografia. Ao longo da consulta, ela relata medo de ter um tumor na cabeça e de vir a falecer como sucedeu com sua tia. O médico realiza um exame clínico amplo e cuidadoso e conclui que a paciente tem, de fato, um quadro de enxaqueca, predisposta por situações de vida atual (sobrecarga no trabalho), sem sinais de alerta. Há um componente da Medicina Centrada na Pessoa que se relaciona com o ato de negociar com a paciente sobre a não necessidade de realizar, naquele momento, a tomografia, frente ao diagnóstico de enxaqueca. Esse componente é:
Medicina Centrada na Pessoa → negociar conduta = elaborar projeto terapêutico comum.
A Medicina Centrada na Pessoa envolve a construção de um plano de cuidados em conjunto com o paciente, considerando suas expectativas e medos. Negociar a não realização de exames desnecessários, explicando os motivos e tranquilizando o paciente, é parte da elaboração de um projeto terapêutico comum e manejo de problemas.
A Medicina Centrada na Pessoa (MCP) é uma abordagem fundamental na Atenção Primária à Saúde, que transcende o modelo biomédico tradicional ao considerar o paciente em sua totalidade, incluindo suas emoções, crenças, contexto social e expectativas. Ela é essencial para a construção de um vínculo terapêutico sólido e para a efetividade do cuidado. Um dos componentes cruciais da MCP é a elaboração de um projeto terapêutico comum e o manejo de problemas. Isso implica em uma tomada de decisão compartilhada, onde o médico e o paciente discutem as opções de tratamento, os riscos e benefícios, e chegam a um consenso sobre o plano de cuidados. No caso da paciente com cefaleia e medo de tumor, o médico, ao negociar a não realização da tomografia, está aplicando este princípio, validando os medos da paciente e explicando racionalmente a conduta, construindo um plano conjunto. A aplicação da MCP melhora a adesão ao tratamento, a satisfação do paciente e a qualidade do cuidado. Para residentes, compreender e praticar a MCP é vital para desenvolver habilidades de comunicação, empatia e para oferecer um cuidado integral e humanizado, especialmente em situações onde as expectativas do paciente podem divergir da conduta clinicamente mais apropriada.
Os pilares incluem explorar a doença e a experiência da doença, compreender a pessoa como um todo, elaborar um projeto terapêutico comum e manejo de problemas, e incorporar a prevenção e promoção da saúde.
Negociar a conduta fortalece a autonomia do paciente, aumenta a adesão ao tratamento e constrói uma relação de confiança, resultando em melhores desfechos de saúde.
Deve-se ouvir as preocupações do paciente, explicar os riscos e benefícios dos exames, apresentar evidências e, juntos, decidir a melhor conduta, focando no projeto terapêutico comum.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo