Medicina Baseada em Evidências: Preferências do Paciente

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2022

Enunciado

Alberto, de 69 anos de idade, caminhoneiro, hipertenso e diabético, foi à consulta, queixando-se dos medicamentos que tem de tomar. Refere estar com muitas dores nas pernas, principalmente à noite, quando toma sinvastatina. Seu risco cardiovascular é maior que 10%. Quando questionado sobre a adesão de suas medicações, Alberto afirmou que não vai mais tomar a sinvastatina. Com base nesse caso hipotético e nos três componentes da Medicina Baseada em Evidências, de David Sackett, suspender a sinvastatina seria uma conduta

Alternativas

  1. A) proscrita, já que a estatina evitou um infarto agudo do miocárdio em uma a cada 104 pessoas com alto risco cardiovascular.
  2. B) proscrita, já que a estatina irá reduzir a mortalidade e tem baixa capacidade de causar danos.
  3. C) imprescindível, já que uma a cada cinquenta pessoas com alto risco cardiovascular em uso de estatina desenvolvem diabetes mellitus tipo 2.
  4. D) possível, já que, sem se considerar os valores e as preferências dos pacientes, não se pode fazer uma prática baseada em evidências.
  5. E) possível, já que a mialgia após o uso de estatina é um evento adverso maior, indicando lesão hepática aguda, grave, medicamentosa.

Pérola Clínica

MBE = Melhor evidência + Experiência clínica + Valores/Preferências do paciente.

Resumo-Chave

A Medicina Baseada em Evidências (MBE) integra a melhor evidência científica, a experiência clínica do médico e, crucialmente, os valores e preferências do paciente. Ignorar a perspectiva do paciente, como a mialgia e a recusa em tomar a medicação, compromete a prática da MBE.

Contexto Educacional

A Medicina Baseada em Evidências (MBE) é uma abordagem fundamental na prática clínica moderna, que busca integrar a melhor evidência de pesquisa com a experiência clínica do médico e os valores e preferências do paciente. Este tripé, popularizado por David Sackett, garante que as decisões terapêuticas sejam não apenas cientificamente sólidas, mas também individualizadas e centradas no paciente. No caso apresentado, a recusa do paciente em continuar a sinvastatina devido a efeitos adversos (dores nas pernas) destaca a importância do pilar "valores e preferências do paciente". Mesmo com um alto risco cardiovascular e a eficácia comprovada das estatinas, a decisão de suspender a medicação pode ser "possível" dentro do contexto da MBE, pois uma prática verdadeiramente baseada em evidências exige a consideração ativa da perspectiva do paciente para garantir a adesão e o bem-estar. Ignorar as preocupações do paciente pode levar à não adesão ao tratamento, comprometendo os resultados de saúde a longo prazo. Portanto, a conduta adequada envolve discutir os riscos e benefícios, explorar alternativas, ajustar a terapia se possível e, acima de tudo, respeitar a autonomia do paciente, buscando uma decisão compartilhada que otimize o cuidado e a qualidade de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são os três pilares da Medicina Baseada em Evidências (MBE)?

Os três pilares da MBE, conforme David Sackett, são: a melhor evidência científica disponível, a experiência clínica do profissional de saúde e os valores e preferências do paciente.

Por que a preferência do paciente é crucial na MBE?

A preferência do paciente é crucial porque a adesão ao tratamento e o sucesso terapêutico dependem da aceitação e do engajamento do paciente. Ignorar seus valores e preocupações pode levar à não adesão e resultados insatisfatórios.

Como a mialgia por estatina deve ser abordada na prática clínica?

A mialgia associada a estatinas deve ser investigada, diferenciando-a de outras causas. Se confirmada, pode-se tentar reduzir a dose, mudar para outra estatina, ou considerar terapias alternativas, sempre em discussão com o paciente.

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